IBGE registra taxa de desemprego em recorde de queda em agosto

Desocupação caiu para 5,3%, mas contratações desaceleram conforme economia enfreia e inflação de serviços persiste

IBGE registra taxa de desemprego em recorde de queda em agosto
Desemprego brasileiro atinge menor patamar da série histórica. Foto: Élida Oliveira

Pesquisa do IBGE divulgada nesta terça-feira mostra taxa de desocupação em 5,3%, recuo de 0,3 ponto percentual, com população ocupada em 103,5 milhões.

A taxa de desocupação no Brasil atingiu 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada nesta terça-feira (29) pelo IBGE. A população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, representando um nível de ocupação de 58,9%.

O recuo de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior marca continuidade na queda da taxa de desemprego. Porém, economistas apontam que o crescimento do emprego segue em descompasso com a trajetória da economia, cuja expansão trimestral encolheu de 1,1% no primeiro trimestre para 0,5% no segundo trimestre de 2026.

Gustavo Assis, CEO da Asset, observa a divergência entre o ciclo da atividade econômica e o ciclo do emprego. Segundo ele, o fenômeno é coerente com a política monetária restritiva, que primeiro se reflete no Produto Interno Bruto. “A tendência é que o próximo sinal venha menos de uma disparada imediata do desemprego e mais de desaceleração das contratações e dos salários”, afirma.

Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, destaca que as empresas costumam ajustar-se à desaceleração econômica em etapas: primeiro cortam horas extras e comissões, alterando o rendimento das famílias, para depois proceder a demissões.

Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, avalia que a demanda por trabalho ainda é suficiente para absorver a expansão da força de trabalho, mas o crescimento da ocupação se torna menos disseminado entre os setores. Segundo ela, os dados de agosto sugerem que a política monetária está em curso e que o quadro deve seguir assim até dezembro.

O crescimento do emprego formal registrou expansão de 1,8% na comparação anual, enquanto o emprego informal apresentou queda de 0,1%, conforme dados da XP. Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, acrescenta que o resultado consolida a perspectiva de mercado de trabalho apertado até o fim do ano.

A alta do nível de ocupação contribui para aumentar a renda circulando na economia, o que pressiona a inflação de serviços, considerada a mais resiliente para postergar o ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, no Banco Central.