Endividamento cresceu de R$ 2,7 trilhões em 2013 para R$ 11 trilhões em agosto, com projeção de atingir 87,9% em 2027.

Próximo presidente herdará país que gasta mais do que arrecada, com dívida pública em 82,9% do PIB, equivalente a R$ 11 trilhões.
O presidente eleito neste domingo (4) assumirá em janeiro um país que gasta mais do que arrecada e cobre a diferença com empréstimos, levando a uma dívida pública em constante crescimento. A dívida bruta passou de R$ 2,7 trilhões no fim de 2013 para R$ 11 trilhões em agosto, com aumento de mais de R$ 1 trilhão apenas neste ano.
Em relação ao tamanho da economia, a dívida subiu de 51,5% para 82,9% do PIB no período analisado, registrando pico perto de 88% durante a pandemia. A comparação com o PIB é utilizada por ser menos afetada pela inflação do que valores nominais em reais.
A dívida começou a subir de forma mais acelerada a partir de 2014, com saltos mais fortes em 2015 e em 2020. Em 2022, teve queda com ajuda da inflação, que aumentou o PIB nominal e reduziu o peso relativo da dívida.
Segundo Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a situação fiscal pode ser comparada a uma família que se endivida para consumo imediato. “É como se fosse uma família, apesar de muita gente não gostar de comparar o país com uma família, mas é um país que está se endividando para comer em restaurante, para ir para o cinema. Uma hora essa conta vai chegar.”
Mudar de rota não é simples. Cerca de nove em cada dez reais gastos pelo governo federal, sem contar os juros, já têm destino definido por lei, como aposentadorias e salários. Boa parte das mudanças necessárias depende do Congresso Nacional.
Nem o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, nem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário, apresentaram um plano detalhado para as contas públicas durante a campanha.
O banco Morgan Stanley observa que o rombo antes dos juros encolheu bastante entre 2023 e 2025. A consultoria 4intelligence identifica receitas resilientes e despesas crescendo em ritmo menor, com o desemprego em patamares baixos. O JPMorgan pondera que apenas 7% da dívida está em moeda estrangeira e que o país possui reservas internacionais elevadas, fatores que ajudam a manter relativamente baixo o prêmio de risco cobrado do Brasil no exterior.
Apesar desses fatores, a projeção atual é de crescimento constante da dívida. A consultoria 4intelligence estima que ela chegue a 87,9% do PIB em 2027. As expectativas de mercado compiladas pelo Banco Central apontam para 102% em 2035. Segundo projeção do Fundo Monetário Internacional, que utiliza critério diferente, a dívida brasileira deve fechar 2026 em patamar elevado.






