Geração de empregos ficou muito abaixo da expectativa de mercado, enquanto desemprego subiu para 4,2% e salários desaceleraram

Os Estados Unidos criaram apenas 29 mil vagas em setembro, muito abaixo do esperado, sinalizando desaceleração econômica e reduzindo urgência do Fed para elevar juros em outubro.
Os Estados Unidos criaram apenas 29 mil vagas de trabalho em setembro, conforme o relatório de emprego (Payroll). O resultado ficou muito abaixo do consenso de mercado, que esperava entre 80 mil e 90 mil novos postos de trabalho. Dados dos meses anteriores também sofreram revisões para baixo.
A taxa de desemprego subiu para 4,2%, contra 4,1% no mês anterior. A pressão salarial também desacelerou mais que o esperado, com alta de 0,1%, quando analistas projetavam 0,3%. Em comparação aos últimos 12 meses, o indicador caiu de 3,1% para 3%.
Para Leandro Padulla, economista do ASA, o relatório mostra clara perda de ritmo na criação de vagas e moderação dos salários. Segundo Padulla, o resultado ainda não caracteriza uma deterioração acentuada do mercado de trabalho, mas indica tendência preocupante. “Para o Fed, o resultado reforça a possibilidade de manutenção dos juros em outubro”, afirma.
O mercado de trabalho americano continua forte, porém com dinâmica menor. Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, observa que a média de contratações dos últimos três meses permanece estável em 51 mil. Ele pontua que a alta do desemprego deve ser analisada junto ao aumento da taxa de participação, que atingiu 61,79%, o maior nível desde maio. “Significa que mais pessoas entraram no mercado, seja trabalhando, seja procurando emprego”, afirma.
Para Vinicius Flores, sócio da Stratton Capital, a composição dos dados é “mais construtiva do que o número cheio sugere”, com a fraqueza concentrada no setor público, enquanto a indústria aponta aumento de atividade.
O cenário de moderação salarial reduz pressão por novas altas de juros. De acordo com Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a menor pressão salarial tende a estabilizar o volume de recursos circulando na economia. Para o C6 Bank, a situação atual justifica uma política monetária restritiva, sendo mais provável que a elevação da taxa de juros ocorra em dezembro, e não em outubro como inicialmente esperado.






