Retração disseminada em 16 das 25 classes de atividade aponta enfraquecimento do consumo e paralisação de investimentos

A produção da indústria recuou 0,6% em agosto comparado a julho. O resultado está abaixo das expectativas do mercado e acende alerta sobre o PIB do terceiro trimestre.
A produção da indústria recuou 0,6% em agosto comparado a julho, resultado abaixo das expectativas do mercado. Segundo o IBGE, entre as 25 classes de atividade pesquisadas, 16 registraram retração. Todas as quatro grandes categorias econômicas encolheram na margem, com a indústria de transformação e a indústria extrativa caindo 0,7% cada.
Na comparação com agosto do ano anterior, a indústria como um todo recuou 1,2%. A queda disseminada em diversos setores industriais aponta para o enfraquecimento do consumo e a paralisação de investimentos, reflexo dos juros altos e do aumento da inadimplência entre pessoas físicas e jurídicas.
O resultado da Pesquisa Industrial Mensal levou à revisão de cenários de projeção do PIB. Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, destaca que a produção ficou abaixo das expectativas de mercado.
“Os dados de produção industrial em agosto são consistentes com o enfraquecimento da atividade incorporado em nosso cenário-base.”
Como consequência direta, a XP revisou o rastreamento do PIB do terceiro trimestre para o território negativo, passando de uma estimativa de estagnação de 0,0% para uma queda de 0,1% em relação ao segundo trimestre.
A equipe econômica do Itaú destacou que o resultado reduz o carry-over estatístico para o terceiro trimestre, o que aumenta a probabilidade de uma contração da produção industrial na comparação trimestral. O banco reforçou os riscos de baixa para sua estimativa de acompanhamento do PIB.
No ASA, o economista Leonardo Costa alertou que, embora mantenha a projeção de crescimento de 0,2% para o PIB do período, o balanço de riscos está indicando risco para baixo diante da perda de tração da atividade.
Segundo o economista Antônio Ricciardi, do Banco Daycoval, o dado confirma que a desaceleração da atividade econômica deve continuar durante o terceiro e o quarto trimestres, após os efeitos parciais de estímulos do governo observados no início do ano terem se dissipado. Os juros altos no país seguram os investimentos das empresas e ampliam a inadimplência de pessoas e negócios.






