Valorização das terras reduz vantagem competitiva do Brasil no agro

Entre 2002 e 2025, preços avançaram 8,7% ao ano em Mato Grosso contra 7,7% em Iowa, diminuindo diferença histórica

Valorização das terras reduz vantagem competitiva do Brasil no agro
Comparação analisa terras de Iowa, nos Estados Unidos, e região de Sinop, em Mato Grosso

Estudo da Universidade Purdue mostra que valorização das terras agrícolas nas últimas duas décadas reduziu parte da vantagem de custo histórica do Brasil

A valorização das terras agrícolas nas últimas duas décadas reduziu parte da vantagem de custo que historicamente favorecia a produção de grãos no Brasil em relação aos Estados Unidos, segundo estudo da Universidade Purdue com dados da Universidade Estadual de Iowa e da S&P Global Energy.

Os preços avançaram nos dois países entre 2002 e 2025, mas com maior oscilação no mercado brasileiro. A comparação considera as terras de Iowa, nos Estados Unidos, e a região de Sinop, em Mato Grosso.

De 2002 a 2025, a valorização média anual foi de 7,7% em Iowa e de 8,7% na região mato-grossense, em valores nominais convertidos para dólar. O preço das terras em Mato Grosso atingiu seu pico em 2022 e recuou posteriormente, enquanto o mercado de Iowa apresentou maior estabilidade.

Em 2025, o valor médio alcançou US$ 11.549 por acre em Iowa, ante US$ 9.066 na região de Sinop, diferença de 27%. Isso equivale a aproximadamente US$ 28,5 mil e US$ 22,4 mil por hectare, respectivamente. A distância entre os preços havia diminuído durante a alta das commodities entre 2021 e 2023, impulsionada pela demanda internacional e pela rentabilidade agrícola.

No Brasil, margens mais apertadas, custos elevados, crédito restrito e juros altos passaram a pressionar o mercado de terras. O encarecimento dificulta a expansão por compra de áreas e aumenta o custo de oportunidade para quem já é proprietário.

Nos Estados Unidos, a maior presença de áreas arrendadas torna os produtores mais expostos ao aumento dos aluguéis.

Para os autores do estudo, a terra ainda oferece vantagem competitiva à produção brasileira, mas essa diferença diminuiu. O estudo ressalta que os dados abrangem recortes distintos e que as oscilações cambiais também influenciam os resultados.