Queda nas vendas se concentra em três semanas entre turnos, com retração de 15% em Belo Horizonte e 6% no Rio de Janeiro

Análise de dados históricos mostra que impacto eleitoral no mercado imobiliário é menos intenso que se imagina, com queda concentrada entre turnos
O setor imobiliário brasileiro registra breve desaceleração durante períodos eleitorais, mas o impacto real é menos intenso do que se acredita amplamente. De acordo com análise de dados históricos das últimas eleições presidenciais, a queda nas vendas se concentra em período muito específico.
“Tem uma crença muito grande sobre esse congelamento de mercado imobiliário por conta da insegurança das pessoas. E aí a gente acaba achando que por conta de uma data específica, de um rosto ali, o mercado imobiliário inteiro para”, afirmou a colunista especializada em mercado imobiliário.
Os dados revelam que o tropeço acontece apenas entre os dois turnos das eleições. “Existe um tropeço de três semanas entre turnos”, explicou a analista. Antes do primeiro turno, o mercado não sofre impacto significativo. Após o segundo turno, a recuperação ocorre com rapidez.
A queda nas vendas durante esse intervalo foi medida em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, a retração chegou a cerca de 15%, enquanto no Rio de Janeiro foi de aproximadamente 6%. Em São Paulo, ao longo das últimas cinco eleições presidenciais, a queda foi progressivamente menor: começou em 20%, passou para 15% e chegou a 5%.
“Na verdade, existe uma percepção de pausa, mas na prática ela é muito rápida”, resumiu a comentarista. A percepção de congelamento total do mercado durante eleições não encontra sustentação nos números reais de transações registradas.
Segundo a análise, o fator que verdadeiramente impacta o mercado imobiliário não é o resultado das eleições, mas sim a taxa de juros. “Você tem que acompanhar como está a taxa de juros”, orientou a especialista. Quando os juros estavam em níveis historicamente baixos, em 2021, o volume de vendas subiu 46% em São Paulo e 52% em Belo Horizonte. Já em 2022, com a taxa retornando a dois dígitos, houve quedas entre 15% e 20% nas mesmas cidades.
Para vendedores, retirar o imóvel do mercado durante o período eleitoral não seria estratégia inteligente, pois implica perda de tempo de exposição do imóvel. Os dados sugerem que manter a propriedade anunciada durante todo o período, incluindo as três semanas de maior cautela, é mais vantajoso do que interromper a comercialização.







