Meta concentra poder sobre eleição ao controlar redes, mensagens e IA

Plataforma gerencia WhatsApp, Instagram e Facebook, onde 99% dos celulares brasileiros estão instalados

Meta concentra poder sobre eleição ao controlar redes, mensagens e IA
Big techs influenciam diretamente a eleição presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters

Meta reúne WhatsApp, Instagram e Facebook, instalados em até 99% dos smartphones. Disputa eleitoral passa por decisões da empresa sobre suspensões e publicidade.

A concentração de poder da Meta sobre a campanha eleitoral brasileira ficou evidente neste segundo turno, quando decisões da empresa sobre suspensões de canais, impulsionamento de publicidade e produção de conteúdo por inteligência artificial influenciaram diretamente o acesso de candidatos aos eleitores.

A plataforma gerencia três aplicativos principais: WhatsApp, Instagram e Facebook, instalados respectivamente em 99%, 91% e 76% dos smartphones pesquisados pela Mobile Time e Opinion Box em 2025. Os públicos se sobrepõem, fazendo com que um candidato que troque de rede social continue diante do mesmo centro de decisão empresarial.

O investimento de Flávio Bolsonaro nas redes foi três vezes o de Lula, colocando em evidência o dinheiro destinado a disputar essa atenção digital. A campanha petista reclamou de dificuldades para impulsionar publicações e questionou o alcance dos vídeos de Nikolas Ferreira. No WhatsApp, o canal Exército do Lula passou por ordens de suspensão e reativação determinadas pelo TSE.

A controvérsia também envolveu a Meta AI. Testes realizados pela Folha mostraram que a ferramenta recusou produzir material para Lula e atendeu a pedidos sobre Flávio. As respostas variaram conforme o país do número associado à conta. A Meta negou favorecimento e atribuiu as diferenças a falhas na identificação dos candidatos e à aplicação das regras eleitorais brasileiras.

O fenômeno revela a falta de alternativas para quem depende dessas plataformas. De acordo com o Digital 2025, internautas brasileiros de 16 anos ou mais gastam 3h32 diárias nas redes sociais e utilizam cerca de oito plataformas por mês. A variedade de aplicativos convive com a concentração de seus proprietários. Uma campanha procura o eleitor onde ele já está, e mudar de serviço exigira convencer esse público a fazer o mesmo. Pacotes de dados que permitem usar certos aplicativos sem descontar da franquia barateiam sua utilização em relação às alternativas, reforçando essa dependência.