Campanha de Flávio Bolsonaro se reorganiza para tentar frear avanço de Lula

Após pesquisas mostrarem oscilação positiva do presidente petista, equipe planeja ampliar porta-vozes e intensificar mobilizações nas ruas até o dia 25 de outubro

Campanha de Flávio Bolsonaro se reorganiza para tentar frear avanço de Lula
Campanha de Flávio Bolsonaro debate reorganização interna na reta final. Foto: CNT/MDA — Foto: CNT/MDA: 48,8% rejeitam voto em Lula; 46,6%, em Flávio

Pesquisas mostram oscilação positiva de Lula nas intenções de voto. Campanha de Flávio planeja ampliar número de porta-vozes e intensificar mobilizações.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) está reorganizando sua estratégia para a reta final do segundo turno presidencial após pesquisas eleitorais mostrarem oscilação positiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto, dentro da margem de erro.

A principal avaliação da equipe é a de que a campanha precisa se comunicar mais intensamente com o eleitor, ampliando o número de porta-vozes públicos. Isso inclui formuladores de políticas que serão implementadas caso o senador eleito vença as eleições, além de aliados como governadores eleitos e candidatos que declararam apoio, a exemplo de Ronaldo Caiado (PSD-GO).

Segundo interlocutores próximos ao candidato, a campanha está sofrendo os efeitos da intensa campanha negativa liderada pelo PT durante o segundo turno. “A campanha entrou em um silêncio grande”, disse um assessor ao portal, avaliando que esse recuo também permitiu ao petista avançar nas intenções de voto.

Como exemplo dessa reticência, a coordenadora do programa econômico de Flávio, Daniella Marques, não concede entrevistas há mais de dez dias. Entre os aliados, destaca-se a situação do apoiador Augusto Cury, considerado o principal apoio obtido após a vitória no primeiro turno. Cury viajou para Portugal e não há previsão de agenda conjunta com Flávio nem de manifestação pública mais incisiva de apoio.

O debate desta quinta-feira (15) sobre segurança pública exemplificou a falta de articulação. A segurança é historicamente uma área em que a direita navega melhor do que a esquerda, mas potenciais porta-vozes da campanha, como o senador eleito Guilherme Derrite (PL-SP), relator da PEC, ocuparam mais tempo discutindo com jornalistas nas redes sociais sobre Alexandre de Moraes do que defendendo propostas como a redução da maioridade penal. O governador eleito do Paraná, Sergio Moro, também ligado ao tema, não apareceu.

A campanha planeja intensificar esforços até 25 de outubro para que candidatos e aliados falem mais abertamente sobre as propostas. A mobilização nas ruas e nas redes para contrapor o PT também está em curso e é considerada uma grande aposta. Flávio participará de manifestações no sábado (17) no Rio de Janeiro e no domingo (18) em São Paulo, com recortes dos atos sendo utilizados nas redes sociais.

Questionados sobre a oscilação de Lula, aliados de Flávio afirmam que o movimento era esperado. Segundo eles, o PT se reorganizou no início do segundo turno, após a derrota no primeiro, tornando natural um crescimento das intenções de voto do petista.