Valdemar Costa Neto articula candidatura de Rogério Marinho para presidência do Senado

Presidente do PL adota postura pragmática após saída de Flávio Bolsonaro e busca frear reeleição de Davi Alcolumbre

Valdemar Costa Neto articula candidatura de Rogério Marinho para presidência do Senado
Valdemar Costa Neto durante Convenção Nacional do Partido Liberal. Foto: Beto Barata/PL

Valdemar Costa Neto articula vitória de Rogério Marinho na eleição para presidência do Senado em 2027, visando consolidar o PL como oposição ao governo Lula.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL (Partido Liberal), articula uma candidatura para emplacar Rogério Marinho (PL-RN) na presidência do Senado em 2027, segundo informaram interlocutores da legenda nesta quarta-feira (28).

O movimento pragmático do dirigente visa frear os planos de Davi Alcolumbre (União-AP) de se reeleger presidente da Casa. De acordo com aliados de Valdemar, o partido avalia que mantém competitividade na disputa, embora Alcolumbre esteja se articulando junto ao centrão para garantir apoio.

A reorganização da legenda ocorre após Flávio Bolsonaro deixar o Brasil. Interlocutores de Valdemar relatam que o presidente do PL ficou chateado com a decisão do senador. O movimento de Valdemar busca consolidar o PL como oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que pode render desafios de governabilidade ao petista no Congresso Nacional.

Aliados de Flávio veem na saída para os Estados Unidos uma possibilidade de reduzir a influência de Alcolumbre sobre a eleição do Senado. Segundo essa ala, Alexandre de Moraes, ministro do STF, buscava usar a decisão de apreender passaportes como alerta de possível prisão para pressionar parlamentares a votar em Alcolumbre, considerado aliado do magistrado.

Na visão do entorno de Flávio, a determinação divulgada segunda-feira (26) de impedir o senador de deixar o país funcionaria como pressão para manter Alcolumbre na presidência do Senado. O argumento do grupo de Flávio é que a saída para o exterior evita que ele se torne moeda de troca em um suposto acordo para blindar Moraes.

A avaliação de aliados de Valdemar é de que a saída de Flávio impacta a reeleição de Alcolumbre porque pode fazer senadores que titubeavam em votar em Rogério Marinho mudarem de posicionamento diante do risco de não conseguirem emplacar o impeachment de Moraes.

Flávio é alvo de pelo menos duas investigações da Polícia Federal. Uma está ligada ao caso Dark Horse e outra investiga o senador junto com o advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema que envolveria bets.