Analista explica por que eleições nos EUA não afetam necessariamente o bitcoin

Pesquisador argumenta que quedas registradas em 2018 e 2022 foram causadas por fatores distintos do resultado das urnas

Analista explica por que eleições nos EUA não afetam necessariamente o bitcoin
Representação de bitcoins em ilustração. Foto: REUTERS/Benoit Tessier — Foto: Representação de bitcoins em ilustração  • criada em Paris, França9/3/2024 REUTERS/Benoit Tessier/Arquivo

Colunista avalia que as quedas de bitcoin coincidentes com eleições de meio de mandato nos EUA são explicadas por outros fatores

Analista financeiro rebate a crença comum entre investidores de que as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos afetam o preço do bitcoin. A próxima terça-feira (3 de novembro) marca o pleito das chamadas “midterms”, e o especialista avalia que quedas coincidentes não são causadas pelas urnas.

Desde que o bitcoin começou a ser negociado em 2010, houve quatro eleições de meio de mandato americanas: 2010, 2014, 2018 e 2022. A primeira, porém, não oferece comparação válida, pois a moeda digital era um experimento com preço de centavos e liquidez mínima. Restam, portanto, três casos relevantes para análise.

A queda mais lembrada ocorreu em 2018. Naquele novembro, logo após as eleições, o bitcoin recuou cerca de 54% em um único mês. O movimento, contudo, foi impulsionado pelo aprofundamento do mercado de baixa que seguiu a euforia do final de 2017, e não pelo resultado das urnas. “O bitcoin estava caindo por causa do seu inverno cripto e não por conta das eleições americanas”.

Em 2022, a situação é ainda mais clara. O bitcoin também recuou com força na época do pleito, mas a causa foi distinta: o colapso da FTX, então uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo. Os problemas da empresa vieram à tona nos dias que cercaram o pleito e nada tinham relação com o resultado eleitoral.

O analista destaca um fator adicional que explica a coincidência aparente. O bitcoin segue historicamente um ciclo de aproximadamente quatro anos, vinculado ao “halving”, evento que reduz pela metade a criação de novos bitcoins. Como as eleições de meio de mandato também ocorrem a cada quatro anos, elas caíram em 2014, 2018 e 2022 justamente na fase de baixa que sucede cada pico do ciclo. “O que parece um efeito das midterms é, em boa medida, o calendário do próprio mercado de criptomoedas”.

Em 2026, o padrão se repete: o bitcoin permanece cerca de 35% abaixo da máxima registrada em outubro de 2025. O resultado também muda conforme a janela de análise escolhida. Trinta dias após a eleição, houve alta em 2010 e queda forte em 2018. Em doze meses, o bitcoin acumulava alta depois de todas as eleições de meio de mandato analisadas.