Operação ocorre quando setor alimentar enfrenta pressão no consumo e endividamento das famílias atinge 81,7%

Investidores Ederson e Everton Muffato adquiriram 15,02% das ações ordinárias do Assaí, conforme comunicado divulgado ao mercado.
Os investidores Ederson e Everton Muffato adquiriram 15,02% das ações ordinárias e posições em derivativos do Assaí, conforme comunicado divulgado ao mercado. A operação ocorre em momento de desconfiança do mercado com o varejo alimentar brasileiro.
Segundo informações prestadas pelos investidores, as participações indicadas não visam participação específica visada pelo grupo. A movimentação reacende discussões sobre uma possível fusão ou combinação de negócios envolvendo os grupos, embora a participação acionária, por si só, não confirme negociações nesse sentido.
Para o analista da Suno Research João Daronco, a operação pode combinar uma aposta na recuperação das ações da companhia com a expectativa de mudanças na estrutura do mercado. “Eu vejo esses dois aspectos que andam juntos”, afirma Daronco, ao se referir à possibilidade de movimentos societários e à oportunidade de investimento em uma companhia cujas ações sofreram forte desvalorização.
O Assaí enfrenta um cenário de pressão sobre o consumo, endividamento elevado e desafios para ampliar a rentabilidade depois de um ciclo de expansão. Conforme dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em setembro 81,7% das famílias brasileiras estavam endividadas, enquanto 29,6% tinham dívidas em atraso. O comprometimento médio da renda com débitos também subiu, de 29,3% em agosto para 29,6% em setembro.
Na avaliação de Daronco, a desvalorização dos papéis pode ter aberto uma janela de oportunidade para investidores com conhecimento do negócio. A perspectiva de recuperação do consumo no fim do ano também poderia favorecer as redes de varejo alimentar, caso parte da renda hoje destinada a apostas on-line, depois da proibição da operação das bets, volte a circular em outros segmentos da economia.
Segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o varejo alimentar cresceu 6,5% na semana de 5 a 11 de outubro e 6,3% na semana seguinte, na comparação com os mesmos períodos de 2025. A entidade identificou avanço em produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café, e atribuiu parte do movimento à restrição das apostas on-line.






