Probabilidade de corte de juros caiu de 70% para 31,2% após resultado das eleições e piora nos indicadores de inflação

Agentes econômicos inverteram apostas sobre a taxa básica de juros na reunião de quarta-feira. Opções na B3 indicam 68,8% de chance de manutenção.
O mercado financeiro inverteu sua expectativa para a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, marcada para quarta-feira (4), ao apostar agora na manutenção da taxa de juros em 13,75% ao ano, em vez de um corte de 0,25 ponto percentual.
A mudança ocorreu após a vitória do presidente Lula nas eleições e diante de riscos inflacionários internos e externos que preocupam agentes econômicos, bancos e corretoras. Antes do segundo turno, a probabilidade de corte da Selic atingia patamares acima dos 70%, segundo as opções negociadas na B3. Após o resultado do pleito, as opções indicam probabilidade implícita de 68,8% de manutenção da taxa básica de juros.
As opções de Copom negociadas na B3 refletem quanto os participantes do mercado estavam dispostos a pagar por cada cenário na data de referência, embora não representem uma projeção oficial da bolsa brasileira. Os preços negociados nos contratos indicam o peso que a decisão eleitoral teve nos modelos de projeções do mercado.
O Itaú Unibanco projeta manutenção da Selic na reunião desta quarta e aponta a expectativa de que o Copom mencione uma moderação gradual da atividade econômica, mas sem citar que a atividade ainda se encontra em patamar resiliente. A instituição também enxerga uma piora do ponto de vista qualitativo na divulgação do IPCA-15 de outubro e prevê que o comitê reconhecerá um distanciamento maior das expectativas de inflação em relação à meta.
“Esperamos que o Copom comunique uma interrupção do ciclo de cortes de juros com manutenção da taxa Selic em 13,75%, em decisão unânime. O comitê deve notar que o contexto global adverso, a desancoragem adicional das expectativas de inflação e os riscos elevados em torno do cenário base exigem cautela e perseverança no cumprimento de seu mandato”, informou o Itaú Unibanco.
O HSBC espera que a taxa Selic termine 2026 no patamar atual de 13,75%, com projeção de juros inalterados até março de 2027. O banco considera a situação das contas públicas como fundamental para projeções futuras da economia brasileira e espera um Banco Central cauteloso até o anúncio de medidas para o quarto mandato do presidente Lula. Conforme o HSBC, é improvável que surjam medidas claras para conter os gastos públicos antes das próximas reuniões do Copom.







