Decisão foi unânime e frustra expectativa do mercado financeiro. Brasil lidera ranking mundial com juros reais de 9,49% ao ano.

O Comitê de Política Monetária manteve nesta quarta-feira a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo cinco cortes consecutivos.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve nesta quarta-feira, 4 de novembro, a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.
O mercado financeiro esperava, em sua maioria, mais um corte. Com a taxa nesse patamar, o crédito segue caro para famílias e empresas. O Brasil mantém a liderança do ranking mundial de juros reais, com 9,49% ao ano, segundo levantamento da MoneYou com a Lev Intelligence divulgado nesta quarta-feira. O país está à frente de Turquia (7,77%), Argentina (6,80%) e Rússia (6,57%).
Em comunicado, o Copom informou que as incertezas se ampliaram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação continuam acima da meta. “O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, afirmou o comitê.
A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, ficou em 0,32% em outubro. No acumulado de 12 meses, o índice subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta, que é de 4,5%. O boletim Focus projeta inflação de 5,22% no fechamento de 2026 e crescimento de 1,76% do Produto Interno Bruto (PIB).
A Selic ficou em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, o maior nível em quase 20 anos. Desde abril, o Copom vinha cortando os juros em um cenário de queda da inflação. O agravamento da guerra no Oriente Médio, o início do fenômeno El Niño e a instabilidade cambial mudaram o quadro. O comitê está desfalcado: os mandatos dos diretores Renato Gomes e Diego Guillen expiraram no fim de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não encaminhou as indicações ao Congresso Nacional.
A decisão foi criticada por entidades empresariais e sindicais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a manutenção como “equivocada e excessivamente conservadora”. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) chamou o aperto monetário de “desmedido” e afirmou que o crédito ao setor produtivo chega perto de 30% ao ano. A Associação Paulista de Supermercados (Apas) disse que os juros elevados limitam o consumo e os investimentos. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também criticou a manutenção da taxa.







