Presidente foi detido após votação unânime na Câmara e aprovação no Senado nesta sexta-feira (6)

O Senado do Paraguai aprovou impeachment de Santiago Peña nesta sexta-feira (6), mesmo após o presidente anunciar renúncia no dia anterior.
O Senado do Paraguai aprovou o impeachment do presidente Santiago Peña nesta sexta-feira (6), mesmo após o mandatário anunciar que renunciaria ao cargo na quinta-feira (5).
Peña havia comunicado sua saída da Presidência em meio a uma crise provocada pelo fechamento do banco Ueno, que afetou milhões de pessoas no país. A renúncia precisava ser aprovada pelo Congresso, que iniciou uma sessão para debater o assunto, mas suspendeu os trabalhos por falta de quórum após parlamentares governistas abandonarem o plenário.
Na quinta-feira, a Câmara de Deputados aprovou o impeachment de Peña por unanimidade. Com isso, restava apenas a aprovação do Senado, que foi concedida nesta sexta.
Parliamentares da oposição explicaram que eram contrários à renúncia para evitar que Peña tivesse foro privilegiado. No Paraguai, presidentes que deixam o cargo — seja por renúncia ou fim de mandato — são considerados “senadores vitalícios” e conseguem o benefício perante a Justiça. Durante o debate no Congresso, a senadora opositora Yolanda Paredes destacou esse ponto e afirmou que aceitar a renúncia transformaria “um ladrão em senador vitalício”, com foro parlamentar para escapar da Justiça.
O Ministério Público paraguaio abriu uma investigação contra o mandatário, que era sócio da empresa controladora do Ueno Bank até março do ano passado. Após sofrer o impeachment, Santiago Peña foi detido e permanecerá em prisão domiciliar até se apresentar à Justiça.
Logo após a sessão do Senado que decretou o impeachment de Peña, o Congresso se reuniu para a posse de Pedro Alliana como novo presidente do país. Em discurso, Alliana ordenou ao governo que realize “ações imediatas” para atender às pessoas afetadas pela crise no Ueno Bank. “Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil, em decorrência do colapso financeiro, serão plenamente compensados. Não os deixaremos sozinhos”, comentou.
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. O banco contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos.







