Pressão cambial e realização de lucros marcaram o fechamento dos contratos futuros do açúcar em bolsas internacionais

O açúcar fechou em queda superior a 2,5%, pressionado pela valorização do dólar e realização de lucros no mercado internacional.
Contexto da queda do açúcar no mercado internacional em 14 de fevereiro
A queda do açúcar nas bolsas internacionais de Nova Iorque e Londres nesta quinta-feira (14) foi fortemente influenciada pela valorização do dólar, que atingiu R$ 5,0086 no Brasil, maior valor desde abril. A valorização cambial pressiona o preço das commodities cotadas em dólar, como o açúcar, e estimula a competitividade das exportações brasileiras, aumentando a oferta global da commodity. Este efeito combinou-se com a realização de lucros após uma sequência de altas recentes, influenciando o recuo superior a 2,5% nos contratos futuros.
Fatores geopolíticos e econômicos que influenciaram as cotações do açúcar
Além da pressão cambial, a volatilidade provocada pelas tensões no Oriente Médio afetou o mercado. O comportamento do petróleo, sensível às negociações na região, impacta diretamente o setor sucroenergético, uma vez que afeta o mercado de etanol e a decisão das usinas brasileiras entre produzir açúcar ou biocombustível. Também foram monitoradas as relações comerciais entre Estados Unidos e China, com potenciais avanços diplomáticos que podem alterar a demanda global.
Influência das projeções para a safra 2026/27 e o papel da StoneX
O mercado vinha sustentado por projeções da StoneX, que indicaram um déficit global aproximado de 550 mil toneladas para a safra 2026/27, revertendo os superávits anteriores. Os temores quanto ao fenômeno El Niño e a possibilidade de maior direcionamento da cana-de-açúcar para etanol também foram fatores que sustentaram as cotações. Contudo, a forte valorização recente levou investidores a realizarem lucros e ajustarem suas posições, contribuindo para a queda dos preços.
Medidas da Índia e suas implicações para o abastecimento global
A decisão da Índia de proibir exportações de açúcar até 30 de setembro, exceto aquelas destinadas à União Europeia e Estados Unidos dentro das cotas tarifárias vigentes, reforçou as preocupações sobre o abastecimento global da commodity. Esta medida ocorre em um momento de incertezas climáticas em importantes países produtores asiáticos, o que pode agravar a oferta no mercado internacional.
Perspectivas para o mercado sucroenergético diante dos desafios atuais
O setor sucroenergético está diretamente ligado às oscilações do petróleo e às decisões políticas e econômicas globais. A volatilidade atual gera incertezas para o mix produtivo das usinas brasileiras entre açúcar e etanol, impactando o mercado futuro da commodity. A alta do dólar e as restrições comerciais internacionais são elementos que deverão continuar influenciando as cotações, exigindo monitoramento constante dos investidores e agentes do setor.
Fonte: www.noticiasagricolas.com.br







