Pesquisador argumenta que quedas registradas em 2018 e 2022 foram causadas por fatores distintos do resultado das urnas

Colunista avalia que as quedas de bitcoin coincidentes com eleições de meio de mandato nos EUA são explicadas por outros fatores
Analista financeiro rebate a crença comum entre investidores de que as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos afetam o preço do bitcoin. A próxima terça-feira (3 de novembro) marca o pleito das chamadas “midterms”, e o especialista avalia que quedas coincidentes não são causadas pelas urnas.
Desde que o bitcoin começou a ser negociado em 2010, houve quatro eleições de meio de mandato americanas: 2010, 2014, 2018 e 2022. A primeira, porém, não oferece comparação válida, pois a moeda digital era um experimento com preço de centavos e liquidez mínima. Restam, portanto, três casos relevantes para análise.
A queda mais lembrada ocorreu em 2018. Naquele novembro, logo após as eleições, o bitcoin recuou cerca de 54% em um único mês. O movimento, contudo, foi impulsionado pelo aprofundamento do mercado de baixa que seguiu a euforia do final de 2017, e não pelo resultado das urnas. “O bitcoin estava caindo por causa do seu inverno cripto e não por conta das eleições americanas”.
Em 2022, a situação é ainda mais clara. O bitcoin também recuou com força na época do pleito, mas a causa foi distinta: o colapso da FTX, então uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo. Os problemas da empresa vieram à tona nos dias que cercaram o pleito e nada tinham relação com o resultado eleitoral.
O analista destaca um fator adicional que explica a coincidência aparente. O bitcoin segue historicamente um ciclo de aproximadamente quatro anos, vinculado ao “halving”, evento que reduz pela metade a criação de novos bitcoins. Como as eleições de meio de mandato também ocorrem a cada quatro anos, elas caíram em 2014, 2018 e 2022 justamente na fase de baixa que sucede cada pico do ciclo. “O que parece um efeito das midterms é, em boa medida, o calendário do próprio mercado de criptomoedas”.
Em 2026, o padrão se repete: o bitcoin permanece cerca de 35% abaixo da máxima registrada em outubro de 2025. O resultado também muda conforme a janela de análise escolhida. Trinta dias após a eleição, houve alta em 2010 e queda forte em 2018. Em doze meses, o bitcoin acumulava alta depois de todas as eleições de meio de mandato analisadas.






