Aneel mantém bandeira verde em novembro, mas tarifas devem subir 9,4% em 2026

Melhora nas chuvas e reservatórios hidrelétricos afasta cobrança adicional, mas reajustes estruturais seguem calendário das distribuidoras

Aneel mantém bandeira verde em novembro, mas tarifas devem subir 9,4% em 2026
Conta de luz. Foto: Arquivo / Agência Brasil — Foto: Conta de luz  • Arquivo / Agência Brasil

Aneel mantém bandeira verde para novembro pelo segundo mês consecutivo. Projeção indica alta média de 9,4% nas tarifas em 2026, ante IPCA estimado em 5%.

A Aneel manteve a bandeira verde para novembro pelo segundo mês consecutivo. A decisão é apoiada pela melhora das condições de geração de energia, que afasta a cobrança adicional na conta de luz.

Contudo, a Aneel projeta alta média de 9,4% nas tarifas em 2026, taxa superior ao IPCA estimado em 5% no boletim InfoTarifas. Para uma residência que consome 200 quilowatts-hora, a bandeira amarela de setembro representava R$ 3,77 de adicional antes dos tributos. Essa cobrança deixou de existir em outubro e continuará ausente em novembro.

Na projeção nacional da Aneel, componentes financeiros respondem por 4,7 pontos percentuais da alta. São ajustes de custos e receitas de períodos anteriores que chegam agora às tarifas. Encargos setoriais contribuem com 1,6 ponto e a compra de energia, com 1,1 ponto.

O quadro hidrológico favoreceu a decisão de manutenção da bandeira verde. No Sudeste/Centro-Oeste, região responsável por cerca de 70% da capacidade de armazenamento hidrelétrico do país, a energia armazenada estava em 54,9% em 30 de outubro, ante 44,3% no mesmo período de 2025. A Aneel atribuiu a bandeira verde ao aumento das chuvas nas regiões das principais usinas e à menor necessidade de geração termelétrica mais cara.

Para novembro, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta armazenamento de 59,8% no Sudeste/Centro-Oeste. A Energia Natural Afluente (ENA), indicador do potencial de geração associado às vazões naturais dos rios, deve atingir 145% da média histórica nessa região e 201% no Sul. No Nordeste e no Norte, as previsões são de 50% e 39%, respectivamente.

O Inmet prevê chuvas acima da média no Sul e em áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul para novembro, com precipitações abaixo do normal em áreas de Minas Gerais. No trimestre de novembro a janeiro, a perspectiva é favorável a chuvas acima da média também em partes do Sudeste e do Centro-Oeste, enquanto grande parte do Norte e áreas do Nordeste tendem a receber menos água.

Temperaturas acima do normal em grande parte do país podem ampliar o uso de refrigeração. O ONS estima carga de 87.347 megawatts médios em novembro, acrescendo pressão à demanda. Os reajustes das distribuidoras seguem calendário específico de cada concessionária.