Biofábrica inaugurada no Paraná prepara Aedes aegypti com Wolbachia para reduzir transmissão do vírus em 26 semanas

Mosquitos Aedes aegypti foram contaminados com bactéria que combate vírus da dengue — Foto: RPC
Mosquitos contaminados com Wolbachia foram soltos em Ponta Grossa em outubro. A cidade inaugurou biofábrica que prepara os insetos para reduzir transmissão de dengue.
Mosquitos Aedes aegypti contaminados com uma bactéria que combate o vírus da dengue foram soltos em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, neste mês de outubro.
A cidade inaugurou uma biofábrica responsável pela preparação final dos animais que atua com o “Método Wolbachia”. Segundo a prefeitura, a ideia é que os mosquitos contaminados se acasalem com os mosquitos locais e passem a bactéria para as gerações seguintes, formando ao longo do tempo uma população de mosquitos com capacidade reduzida de transmitir dengue e outras doenças.
A implantação do método é resultado de parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde, o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a empresa Wolbito do Brasil. De acordo com a prefeitura, a soltura iniciou no dia 20 de outubro e será gradual ao longo de 26 semanas.
Foram escolhidos 5,3 mil pontos de soltura distribuídos entre o Centro e os bairros de Uvaranas, Oficinas, Cará-Cará, Contorno, Colônia Dona Luiza, Chapada e Ronda.
A biofábrica inaugurada em Ponta Grossa conta com um núcleo de produção e estrutura própria para o desenvolvimento dos mosquitos, chamados de Wolbitos, desde a fase de ovo até a fase adulta, antes da liberação em campo. O núcleo recebe cápsulas com ovos e ração; em contato com a água, os ovos se desenvolvem até a formação dos mosquitos adultos, que são distribuídos por veículos para as rotas pré-definidas.
“Pesquisas de eficácia demonstram que, quanto maior a presença de mosquitos com a bactéria em campo, menores são os números de casos de dengue, zika e chikungunya. Em Niterói (RJ), por exemplo, que tem todo o território coberto pela tecnologia, a redução dos casos de dengue foi de 89%”, informou a prefeitura.
O Método Wolbachia funciona pela introdução de uma bactéria natural nos mosquitos Aedes aegypti que reduz sua capacidade de transmitir vírus. Quando os mosquitos modificados se acasalam com os selvagens, a bactéria se propaga nas gerações seguintes, diminuindo gradualmente os casos de doenças transmitidas pelo inseto.
A soltura continua de forma gradual até o final das 26 semanas previstas, conforme cronograma estabelecido pela prefeitura e parceiros.







