Senador usado passaporte italiano para sair da Argentina e fez escala no Equador, segundo apuração da CNN Brasil

Trajeto da aeronave evitou Brasil para afastar risco de interceptação pelas autoridades. Senador partiu de Puerto Iguazú na Argentina.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) utilizou passaporte italiano para deixar a Argentina e contornou o espaço aéreo brasileiro em sua fuga para os Estados Unidos, conforme fontes ouvidas pela CNN Brasil. A aeronave, modelo Gulfstream G400, decolou na noite de terça-feira (27) de Puerto Iguazú com o senador e familiares.
O primeiro destino foi Guayaquil, no Equador, onde ocorreu uma escala técnica durante a madrugada para abastecimento. Segundo a emissora, sem essa parada, a aeronave não teria autonomia suficiente para chegar à América do Norte, e o trajeto seguiu depois em direção a Miami.
Conforme apurado pela CNN Brasil, o senador apresentou passaporte italiano para sair da Argentina, enquanto os familiares utilizaram o passaporte brasileiro. A determinação de apreensão dos documentos do senador foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas o parlamentar não entregou os passaportes à Polícia Federal (PF). Posteriormente, a corporação cancelou os passaportes brasileiros.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, se houvesse um pedido de prisão durante o deslocamento e a aeronave sobrevoasse o Brasil, a interceptação poderia ser determinada e executada pela Força Aérea Brasileira (FAB). Essa medida, porém, não ocorreu nem foi solicitada pelas autoridades brasileiras.
Uma interceptação é um procedimento em que uma aeronave militar se aproxima de um avião suspeito no ar, exige identificação e pode determinar ordem de pouso. Em casos mais graves, pode fazer uso da força, efetuando tiros de advertência e até abatendo o alvo suspeito.
Se uma aeronave entra no espaço aéreo ou território de um país, ela fica sujeita às leis locais. Conforme fontes ouvidas, sem pedido de prisão em aberto e com passaporte italiano regularizado, Flávio Bolsonaro possui direito a deslocamento internacional. A FAB não tem autoridade para atuar contra um avião fora do território brasileiro.
Flávio é investigado em inquéritos sobre os casos Dark Horse e Willer Tomaz, além de suposta calúnia contra o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Não há nenhum mandado de prisão em aberto contra o parlamentar.







