Câmara amplia uso de fundos para minerais além dos críticos

Projeto permite destinar recursos de minerais críticos e estratégicos para exploração de minérios como ferro

Câmara amplia uso de fundos para minerais além dos críticos
Minério de ferro em pelotas, importante commodity de exportação brasileira. Foto: Vale/Arquivo/Divulgação

Câmara aprova projeto que permite usar fundos para minerais críticos também em outros minérios estratégicos como minério de ferro.

Câmara aprova uso ampliado de fundos para minerais críticos e estratégicos

Na sessão realizada em 6 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que expande o uso dos fundos destinados a minerais críticos para incluir também os minerais estratégicos, como o minério de ferro. O relator Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) propôs a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que visa promover a mineração de recursos essenciais à economia, desenvolvimento tecnológico e à redução das emissões de gases de efeito estufa.

Criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral com recursos públicos e privados

O projeto institui o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com recursos iniciais estimados em R$ 2 bilhões provenientes da União, além de aportes privados que podem elevar o montante a cerca de R$ 5 bilhões. O fundo tem como objetivo assegurar investimentos para o desenvolvimento da cadeia mineral, incluindo incentivos fiscais e creditícios previstos no Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE), com benefícios que podem chegar a R$ 5 bilhões até 2030.

Impactos econômicos e desafios para a industrialização mineral no Brasil

Especialistas como o professor Bruno Milanez, da Universidade Federal de Juiz de Fora, destacam que o projeto traz uma série de vantagens econômicas para o setor mineral como um todo, porém alertam que os recursos podem ser majoritariamente utilizados nas fases de extração e beneficiamento — já amplamente desenvolvidas e lucrativas — em detrimento das etapas de industrialização e transformação mineral, que ainda são pouco exploradas no país. O crédito fiscal previsto deve ser proporcional à agregação de valor na cadeia produtiva, mas a regulamentação futura definirá os critérios.

Divergências sobre beneficiamento e agregação de valor na mineração

Enquanto o professor Milanez considera que o beneficiamento é uma etapa básica e já praticada pelas mineradoras, o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, argumenta que beneficiamento e outras etapas do processamento mineral constituem uma cadeia produtiva integrada, especialmente para minerais de nicho como terras raras. Cesário também ressalta que o Brasil é competitivo na exploração de minérios tradicionais, como o ferro, e que o incentivo do governo deve focar naquilo que realmente exige apoio.

Brasil no mercado global de minerais estratégicos e críticos

Com reservas de cerca de 21 milhões de toneladas, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. A posição geográfica estratégica do país é vista como uma vantagem importante no contexto da disputa global entre superpotências pelo controle desses materiais essenciais para a tecnologia avançada, defesa militar e transição energética.

Desafios regulatórios e futuro do setor mineral brasileiro

O sucesso da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos dependerá da regulamentação a ser estabelecida pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), que terá papel central na definição dos critérios para concessão de créditos fiscais e direcionamento dos recursos. O desafio maior é garantir que os incentivos favoreçam a industrialização e agregação de valor no país, evitando que o setor mineral continue focado predominantemente na exportação de matérias-primas sem transformação local.

Este projeto segue agora para o Senado, onde será analisado e poderá sofrer alterações antes de ser sancionado.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: Vale/Arquivo/Divulgação