Setores que representam dois terços da economia desaceleraram de 4,7% para 1,6% em 2026. Despesas financeiras consomem 45% do lucro das maiores empresas de varejo.

Comércio desacelerou de 4,7% em 2024 para 1,6 nos primeiros sete meses de 2026. Serviços passou de 3,1% para 1,9 no mesmo período.
Os setores de comércio e serviços, que representam dois terços da economia brasileira, apresentam desaceleração significativa. O comércio registrou crescimento de 4,7% em 2024, mas desacelerou para 1,6% nos sete primeiros meses de 2026. O segmento de serviços seguiu trajetória semelhante, passando de uma expansão de 3,1% em 2024 para 1,9% no mesmo período.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor tem registrado expansão média inferior a 2% ao ano nos últimos anos. A alta taxa de juros impacta diretamente o caixa das empresas, afetando a capacidade de investimento e contração das margens financeiras.
O impacto das despesas financeiras é considerável. De acordo com dados da FecomercioSP, entre as 40 maiores empresas de bens de consumo e varejo, as despesas financeiras consumiram 45% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em 2025. Em 2023, esse percentual era de 20% e em 2024 chegou a 33,3%.
O cenário reflete-se também no número de recuperações judiciais. No segundo trimestre de 2026, houve aumento de 58% nos pedidos de recuperação judicial em comparação ao mesmo período de 2023. Das mais de 6 mil empresas em recuperação, 21% eram do comércio. Além disso, o setor de serviços corresponde a 55,4% dos 8,8 milhões de CNPJs negativados no país, seguido pelo comércio, com 32,6%.
Rio representantes dos setores apontam a redução da taxa de juros como prioridade central. Antonio Lanzana, presidente do Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), afirma que a taxa de juros eleva o custo do capital e contrai as margens, reduzindo os investimentos. Simultaneamente, o endividamento das famílias limita os gastos com consumo, alterando a demanda dos setores.
O economista defende a necessidade de um ajuste fiscal para reverter o quadro de desaceleração. Lanzana alerta que a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) passou de 71,7% em período anterior, com projeção de crescimento de 1,8% em 2026 e 1,4% em 2027. Representantes dos setores priorizam a garantia de um ambiente de negócios seguro, estável e previsível na próxima gestão.







