Compreensão da história como ensinamento é uma visão ingênua, afirma Michel Gherman

Historiador da UFRJ destaca dimensão trágica da história e questiona ideia de aprendizado linear

Compreensão da história como ensinamento é uma visão ingênua, afirma Michel Gherman
Michel Gherman, professor da UFRJ, analisa a complexidade da história. Foto: Logo CNN Brasil

Michel Gherman critica a ideia de que a humanidade aprende linearmente com a história e destaca sua dimensão trágica.

A visão crítica sobre a compreensão da história como ensinamento

A compreensão da história como ensinamento é uma visão ingênua, segundo o professor Michel Gherman, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em sua análise, apresentada em entrevista ao programa apresentado por William Waack, Gherman destaca que essa ideia implica uma leitura linear e funcional da história, na qual a humanidade teria a responsabilidade de aprender com o passado para evitar a repetição de erros. Essa perspectiva, entretanto, não contempla a complexidade e as dimensões profundas que estruturam os processos históricos.

Dimensão trágica da história e o conceito do anjo de Walter Benjamin

Para Gherman, a história não seria um caminho de aprendizado progressivo, mas sim um processo marcado por uma “dimensão trágica”. Ele recorre ao conceito do filósofo Walter Benjamin, que descreve o “anjo da história” como uma figura que avança no tempo sem conseguir impedir os movimentos turbulentos do passado. Essa metáfora evidencia a dificuldade intrínseca da humanidade em controlar ou mesmo compreender plenamente os eventos históricos que se sucedem, desafiando a noção simplista de aprendizado linear.

Influências filosóficas e sociológicas na interpretação histórica

O historiador fundamenta sua análise em referências de pensadores fundamentais como Albert Einstein, Sigmund Freud e Karl Marx. Esses nomes são usados para ilustrar uma compreensão ampliada dos processos históricos, que vai além das evidências visíveis. Segundo Gherman, há dimensões invisibilizadas e menos claras que influenciam decisivamente os rumos da história, mas que não são imediatamente perceptíveis para quem observa os fatos de forma superficial.

A instrumentalização da história através da educação e direitos

Apesar das críticas à visão linear da história, Michel Gherman reconhece que a história pode ser instrumentalizada positivamente, especialmente por meio da educação, da construção de leis e da luta pela ampliação de direitos. Esses mecanismos possibilitam compreender melhor os processos históricos e extraí-los como fontes de aprendizado e inspiração para transformações sociais, ainda que a própria história continue sendo marcada por ambiguidades e contradições.

Considerações finais sobre o papel da história na sociedade contemporânea

A reflexão de Michel Gherman convida a uma reavaliação do papel da história na formação da consciência coletiva e na orientação das ações humanas. Ao destacar as complexidades e limitações do aprendizado histórico, ele sugere que a história deve ser abordada com um olhar crítico e multifacetado, capaz de reconhecer suas dimensões ocultas e a inevitabilidade de sua natureza trágica. Essa abordagem amplia a compreensão dos fenômenos sociais e políticos, desafiando perspectivas simplistas e oferecendo uma base mais sólida para o debate público e acadêmico.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Logo CNN Brasil