Consórcio liderado por Novonor e Mota-Engil conquista concessão da Rota dos Sertões

Leilão da Rota dos Sertões atrai disputa acirrada e prevê investimentos bilionários em rodovias do Nordeste

Consórcio liderado por Novonor e Mota-Engil conquista concessão da Rota dos Sertões
Mapa do trecho concedido da Rota dos Sertões. Foto: Ministério dos Transportes

Consórcio formado por Novonor e Mota-Engil vence leilão da Rota dos Sertões com desconto de 19,6% e anuncia investimento de R$ 8,5 bilhões.

Confira a programação completa do leilão da Rota dos Sertões

28 de maio, São Paulo: Consórcio 116 Sertões (Neo Invest, Mota-Engil, Galápagos Capital) – desconto de 19,6% na tarifa de pedágio
28 de maio, São Paulo: Atlas Rodovias (Yvy Capital, Infra Brasil, Grupo Houer) – disputa acirrada com 14 lances

  • 28 de maio, São Paulo: Consórcio Via dos Sertões (Aspen, DMDL) – oferta inicial de 13,10%

Análise do impacto da concessão da Rota dos Sertões no Nordeste brasileiro

A Rota dos Sertões, trecho de 502 quilômetros que liga Feira de Santana (BA) a Salgueiro (PE), foi arrematada pelo consórcio 116 Sertões em leilão realizado em 28 de maio de 2026 na B3, em São Paulo. Esta concessão representa um marco para a infraestrutura rodoviária do Nordeste, com investimentos previstos de cerca de R$ 8,5 bilhões ao longo dos próximos 30 anos. A keyphrase Rota dos Sertões aparece como central na análise deste impacto. O grupo liderado pela Neo Invest, braço do Novonor, em parceria com a portuguesa Mota-Engil e a Galápagos Capital, comprometeu-se a oferecer um desconto de 19,6% na tarifa de pedágio, sinalizando esforços para atrair usuários e fomentar o desenvolvimento regional.

Perfil dos principais protagonistas do consórcio vencedor

O consórcio vitorioso une a experiência da Neo Invest, plataforma de concessões do grupo Novonor, com a expertise internacional da Mota-Engil, que faz sua estreia no setor rodoviário brasileiro. A Neo Invest, vinculada ao grupo controlador da Odebrecht, retoma sua atuação estratégica no segmento após um período de retração causado pela Operação Lava Jato. Por sua vez, a Mota-Engil, com sólida presença global e participação da China Communications Construction Company, amplia sua atuação no Brasil após vencer o leilão do Túnel Santos-Guarujá em setembro de 2025. A participação da Galápagos Capital complementa a composição financeira do grupo.

Detalhes técnicos e obras previstas na concessão da Rota dos Sertões

O projeto contempla 108 km de duplicações, 5,2 km de faixas adicionais, implantação de passarelas e pontos de descanso para caminhoneiros, além de um contorno viário na travessia urbana de Serrinha (BA). Estes investimentos visam melhorar a segurança, fluidez e eficiência da malha rodoviária, promovendo ganhos expressivos para o transporte de cargas e passageiros na região. O aporte direto de R$ 4,13 bilhões (capex) destaca o compromisso com a modernização da infraestrutura, enquanto o contrato de 30 anos assegura estabilidade para a execução das obras.

Contexto do setor rodoviário e concorrentes na disputa da concessão

O leilão da Rota dos Sertões foi o segundo certame federal de rodovias no Brasil em 2026, precedendo a repactuação da Régis Bittencourt marcada para julho. Durante a disputa, o consórcio 116 Sertões enfrentou concorrentes relevantes, como a Atlas Rodovias, formada pela Yvy Capital, Infra Brasil e Grupo Houer, que protagonizou uma dinâmica de 14 lances a viva-voz. A Yvy Capital, fundada por Paulo Guedes e Gustavo Montezano, investe em rodovias de médio porte com um fundo específico. Outro participante, o consórcio Via dos Sertões, composto por Aspen e DMDL, não avançou para a fase final devido a uma oferta inicial inferior. Estes movimentos evidenciam o interesse crescente no setor de concessões rodoviárias, impulsionado pela demanda por infraestrutura e modernização.

Perspectivas para o futuro da Rota dos Sertões e do mercado de concessões

Com a consolidação do consórcio 116 Sertões como novo gestor da rodovia, o foco se volta para a execução dos investimentos e a entrega de melhorias estruturais que possam garantir maior competitividade à rota. O projeto deve contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do Nordeste, facilitando o escoamento da produção e redução dos custos logísticos. A entrada de players internacionais como a Mota-Engil reforça a tendência de abertura do mercado brasileiro para parcerias estratégico-financeiras globais, ampliando a capacidade técnica e financeira para investimentos de longo prazo.