Copom mantém Selic em 13,75% nesta quarta diante de pressões fiscais e externas

Expectativa de interrupção dos cortes de juros muda após eleição e com pressões do petróleo e condições financeiras restritivas no mercado internacional

Copom mantém Selic em 13,75% nesta quarta diante de pressões fiscais e externas
Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Reuters/Adriano Machado — Foto: Prédio do Banco Central em Brasília  • 11 de junho de 2024 REUTERS/Adriano Machado

O Copom chega à reunião desta semana com expectativa de interromper os cortes de juros e manter a Selic em 13,75% ao ano, após mudança nas projeções do mercado.

O Copom (Comitê de Política Monetária) chega à reunião desta quarta-feira (4 de novembro) com expectativa da maioria das instituições de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes de juros.

A decisão reflete uma combinação menos favorável à redução dos juros que se formou após o segundo turno das eleições presidenciais. O Boletim Focus divulgado em 26 de outubro ainda projetava a Selic em 13,25% ao fim de 2026, com dois cortes de 0,25 ponto percentual previstos para novembro e dezembro. A pesquisa havia coletado respostas até 23 de outubro, antes da votação.

Após o resultado eleitoral, a manutenção da taxa ganhou destaque nas apostas dos operadores. Nas opções de Copom da B3, o cenário de manutenção apresentava probabilidade implícita de 63,1%, conforme levantamento com preços de fechamento de 26 de outubro.

Relatórios divulgados na última sexta-feira (30) pelo Itaú e Goldman Sachs apontam um ambiente internacional mais difícil, com pressões do petróleo e condições financeiras restritivas. Energia mais cara e real mais fraco podem elevar custos de produção, transporte e produtos importados.

Na avaliação do Goldman Sachs, os compromissos fiscais assumidos durante a campanha eleitoral também pioraram as perspectivas para as contas públicas. A preocupação é com seus efeitos sobre a demanda, o câmbio e as expectativas de inflação, fatores que influenciam o espaço disponível para o Banco Central reduzir os juros.

A economista Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, destaca que a formação da equipe econômica e as sinalizações sobre a condução das contas públicas estão entre os próximos pontos de atenção dos investidores.

Há, porém, um contraponto relevante: a economia está desacelerando. Itaú e Goldman Sachs reconhecem sinais de perda de força da atividade econômica. Em teoria, menos consumo e investimento ajudam a conter os preços e favorecem cortes de juros.

O Itaú observa que o resultado melhor que o esperado do IPCA-15 de outubro se concentrou em alimentação e passagens aéreas, enquanto medidas de serviços apresentaram piora. Por isso, o alívio no índice geral não foi suficiente para afastar as preocupações com a inflação de serviços, que permanece pressionada num mercado de trabalho ainda resistente.