Líder interina não estabeleceu data para votações e afirma que calendário eleitoral dependerá do cumprimento de objetivos institucionais

Delcy Rodríguez prometeu realizar novas eleições na Venezuela, impedir detenções sem ordem judicial e devolver bens ao setor privado
A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu nesta quinta-feira (29) realizar novas eleições no país, impedir prisões sem ordem judicial e devolver ao setor privado parte dos bens estatizados pelo regime chavista.
As promessas foram feitas em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, no qual ela apresentou uma série de mudanças políticas, judiciais e econômicas que pretende implementar. Apesar disso, não estabeleceu uma data para a realização das votações.
“Haverá eleições. Todas as que determina nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha.”
Delcy afirmou que o calendário eleitoral dependerá do cumprimento de uma série de objetivos, incluindo reformas institucionais e garantias de participação política. A próxima votação será organizada por um Conselho Nacional Eleitoral (CNE) renovado, com fiscalização internacional, conforme declarado.
O discurso ocorreu no mesmo dia em que a líder da oposição María Corina Machado convocou sua primeira entrevista coletiva desde o retorno à Venezuela no último domingo (25). A oposição venezuelana, liderada por María Corina e Edmundo González Urrutia, defende a realização de eleições presidenciais em 2027.
No pronunciamento, Delcy também afirmou ter determinado às forças de segurança que não realizem detenções sem autorização judicial, exceto quando uma pessoa for surpreendida cometendo um crime.
“Dei instruções aos órgãos de segurança para que nenhuma pessoa seja detida sem ordem judicial, salvo nos casos de flagrante delito.”
A líder interina reconheceu o direito dos venezuelanos de participar de manifestações pacíficas e afirmou que ninguém deve sofrer represálias por suas opiniões políticas. Organizações de direitos humanos denunciam há anos o uso de prisões arbitrárias e processos judiciais no país.
Delcy mencionou o andamento das negociações entre o regime chavista e representantes da Assembleia Nacional opositora eleita em 2015. A terceira rodada de negociações ocorreu nesta quarta-feira (28), em Caracas, e incluiu discussões sobre a renovação do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e as garantias para os próximos processos eleitorais.






