Economia cresce 3,4% nos EUA, mas salários reais caem e inflação volta a acelerar

PIB avança acima do esperado impulsionado por consumo e investimentos em inteligência artificial, mas renda das famílias encolhe

Economia cresce 3,4% nos EUA, mas salários reais caem e inflação volta a acelerar
Donald Trump em comício no Texas. Foto: Reuters — Foto: Donald Trump em comício no Texas  • Reuters

Produto Interno Bruto norte-americano avançou 3,4% em ritmo anualizado no terceiro trimestre, mas salários reais recuaram 0,7% em setembro

O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos avançou 3,4% em ritmo anualizado no terceiro trimestre de 2026, superando a expansão de 2,2% registrada no trimestre anterior. O crescimento foi sustentado pelo consumo das famílias e pelos investimentos empresariais, especialmente aqueles associados à inteligência artificial.

Apesar da performance positiva da economia agregada, os dados revelam um cenário contraditório para a renda disponível das famílias norte-americanas. Em setembro, a inflação ao consumidor chegou a 3,7% em doze meses, enquanto os salários nominais por hora cresceram apenas 3%. Descontada a inflação, a remuneração média real recuou 0,7% no período.

O mercado de trabalho também apresentou sinais de perda de dinamismo. A economia criou apenas 29 mil vagas em setembro, embora o desemprego tenha permanecido relativamente baixo, em 4,2%.

O indicador de confiança do consumidor reforça a desconexão entre crescimento econômico e percepção das famílias. A Universidade de Michigan registrou, em outubro, um índice de confiança de apenas 48 pontos, cerca de 10% abaixo do resultado de um ano anterior.

Segundo análise disponível, o elevado custo de bens duráveis e as condições de financiamento continuam pesando sobre as avaliações das famílias. O poder de compra, o custo do crédito e a possibilidade de manter determinado padrão de vida importam tanto quanto os indicadores agregados de desemprego e crescimento da produção.

Parte das pressões inflacionárias está associada a políticas de tarifas de importação, que foram apresentadas como instrumentos de fortalecimento da economia doméstica dos EUA. As políticas comerciais implementadas visam proteger a indústria doméstica, mas têm gerado efeitos colaterais nos preços ao consumidor.