Economistas alertam para dívida pública como maior desafio do próximo governo

Especialistas apontam que ajuste fiscal urgente é necessário para evitar que dívida atinja 100% do PIB em quatro anos

Economistas alertam para dívida pública como maior desafio do próximo governo
Montagem mostra candidatos nas eleições de 2026. Foto: Élida Oliveira

Especialistas em economia alertam que o próximo presidente enfrentará desafio de reduzir trajetória de crescimento da dívida pública

O próximo presidente enfrentará desafios econômicos que demandarão articulação com o Congresso, avaliam especialistas nesta terça-feira (5).

O ajuste fiscal é considerado o tema mais urgente pelos economistas, já que o país precisa desacelerar a trajetória de crescimento da dívida pública, que em agosto chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, alerta para o cenário crítico. “Se nada for feito, a dívida pública pode crescer cerca de 5 pontos percentuais do PIB ao ano, atingindo a marca de 100% do PIB em 4 anos”, disse.

O obstáculo central é que 90% dos gastos públicos são obrigatórios. Para resolver essa questão, seria necessário elaborar propostas pouco populares, como reformas em benefícios e regras de despesa. Samuel Pessoa, pesquisador associado do FGV IBRE e chefe da pesquisa econômica da Julius Baer Brasil, destaca a dificuldade política da situação. “O desafio do presidente Lula é achar um equilíbrio entre os interesses dos mais pobres, mas que, simultaneamente, atenda a capacidade da economia de entregar resultados”, avalia.

As medidas exigirão aprovação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) no Congresso Nacional e negociação com o Supremo Tribunal Federal (STF) para resistir às judicializações, que devem ocorrer caso propostas afetem direitos constitucionais.

Ivo Chermont, sócio e economista-chefe da Quantitas Asset, também participou da avaliação do cenário econômico. Os economistas consideram tanto o andamento das políticas já em curso, caso o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito, quanto o histórico do governo anterior, além das sinalizações feitas pelas equipes econômicas dos candidatos na primeira fase da campanha.

Ainda há pouca informação sobre as propostas específicas que poderiam ser implementadas e, principalmente, como elas seriam colocadas em prática pelos candidatos.