El Niño deve encarecer alimentos e energia no Brasil até 2027

Agência climática dos EUA aponta 98% de probabilidade de episódio muito forte. Estudo projeta inflação de alimentos em 6,4% no próximo ano.

El Niño deve encarecer alimentos e energia no Brasil até 2027
Fenômeno climático El Niño deve impactar preços de alimentos e energia Foto: Élida Oliveira

O fenômeno El Niño deve encarecer contas básicas do brasileiro como alimentação e energia, comprometendo orçamentos já apertados com endividamento elevado.

O fenômeno climático El Niño deve encarecer as contas básicas do brasileiro, como alimentação e energia, comprometendo orçamentos familiares já apertados com alto endividamento.

A NOAA, agência climática dos EUA, atribui probabilidade de 98% de ocorrência de um episódio muito forte do El Niño até o final deste ano. Um estudo da 4Intelligence estima que o fenômeno terá impacto de 2,4 pontos percentuais sobre a inflação de alimentos no domicílio, que acumulava alta de 3,44% de janeiro até agosto, acima do índice geral de 3,11%. A empresa projeta que esse percentual salte para 6,4% em 2027.

O repasse aos preços não ocorre de forma homogênea. No curto prazo, os reflexos são imediatos em produtos in natura, como frutas, legumes e verduras, além de cerveja. Já no médio prazo, os efeitos atingem produtos industrializados e semi elaborados, como flocos de milho, atomatado e chocolate.

A dimensão regional também pesa. De acordo com a 4Intelligence, os impactos na inflação se mostram maiores e mais persistentes nos estados das regiões Norte, Nordeste e em Minas Gerais.

Considerando o impacto do El Niño em escala global, o Goldman Sachs destaca que os efeitos sobre a inflação são difíceis de mensurar porque afetarão culturas em diferentes países, contribuindo para um choque de oferta que deve desacelerar a atividade e impactar nos juros, que podem se manter elevados em todo o mundo.

A alteração no regime de chuvas provocada pelo El Niño pode ter impacto na conta de energia elétrica, já que a produção brasileira é focada em hidrelétricas. De acordo com o economista Alexandre Bertoncello, em locais onde pode haver escassez de chuvas, como na região das usinas de Belo Monte e Tucuruí, a produção pode ficar comprometida porque dependem do fluxo de água.

Além disso, os dias mais quentes tendem a demandar maior uso de energia elétrica com aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e abertura mais frequente de geladeiras. Gastos inesperados com perdas de bens durante chuvas e inundações podem complicar ainda mais o orçamento de famílias sem reserva financeira para cobrir essas despesas.