Estados Unidos justificam tarifa adicional devido a falhas brasileiras no combate ao trabalho escravo na produção e exportação

Estados Unidos anunciam tarifa de 12,5% contra importações brasileiras por falhas no combate ao trabalho forçado nas cadeias produtivas.
Nova taxa de 12,5% dos EUA ao Brasil por trabalho forçado
Nesta terça-feira, 2 de junho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou a imposição de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado. O documento oficial aponta que o país não conseguiu impedir que bens produzidos com trabalho escravo sejam importados, gerando uma concorrência desleal para os EUA no mercado internacional.
Trabalho forçado na produção de carne bovina brasileira
O relatório evidencia a utilização de trabalho forçado na produção de gado no Brasil, mencionando produtores listados na Lista Suja do Trabalho Escravo, instrumento reconhecido internacionalmente para combater a escravidão contemporânea. Em 2025, cerca de 90% das exportações brasileiras de carne bovina congelada foram destinadas a países sob investigação, incluindo a China. Tal situação contribuiu para que as exportações brasileiras de carne para a China aumentassem mais de 17 vezes entre 2015 e 2025, superando significativamente as exportações dos EUA para o mesmo mercado.
Impacto da concorrência desleal no comércio internacional
Segundo a análise do USTR, a ausência de uma proibição legal efetiva no Brasil contra importações de produtos fabricados com trabalho forçado cria uma vantagem de custo à carne bovina brasileira, provocando distorções nas relações comerciais. O documento também destaca que o Brasil e outras economias investigadas importam produtos similares produzidos sob condições análogas à escravidão, como arroz, tabaco e algodão, competindo diretamente com exportações americanas nesses mercados.
O papel da legislação e dos mecanismos brasileiros de combate
Embora o Brasil seja signatário de tratados internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) contra o trabalho forçado, o documento do USTR aponta que o país não possui legislação específica que proíba formalmente a entrada de produtos fabricados com trabalho escravo em seu mercado. Enquanto mecanismos como a Lista Suja do Trabalho Escravo funcionam como ferramentas de fiscalização e restrição a empregadores irregulares, faltam medidas legais para impedir efetivamente a importação desses produtos.
Investigação e resposta brasileira
O Ministério Público do Trabalho (MPT) tem conduzido investigações desde 2020 para rastrear cadeias produtivas em busca de trabalho escravo, notificando mais de 50 grandes empresas. Em sua defesa perante as autoridades americanas, o Brasil ressaltou o arcabouço legal interno e os acordos internacionais firmados para erradicar o trabalho forçado. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como desproporcionais eventuais sanções e afirmou o compromisso do país em combater a prática.
Consequências para o comércio e próximos passos
A imposição da nova tarifa de 12,5% pelo governo dos EUA pode impactar diretamente os fluxos comerciais entre as duas nações, especialmente nos setores de carne bovina e algodão. A medida ressalta a crescente pressão internacional sobre práticas laborais nas cadeias produtivas. O Brasil enfrenta o desafio de aprimorar sua legislação e intensificar a fiscalização para atender às exigências globais e evitar maiores restrições comerciais.






