Fed sinaliza mais uma alta de juros até fim do 2026

Ata do banco central americano divulgada nesta quarta mostra que maioria dos integrantes vê novo aumento apropriado

Fed sinaliza mais uma alta de juros até fim do 2026
Sede do Federal Reserve, banco central dos EUA. Foto: Élida Oliveira

Ata do Fomc mostra que maioria dos integrantes do Federal Reserve avalia apropriada nova elevação de juros até dezembro

O ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos deve ser mais persistente, com possibilidade de pelo menos mais uma elevação de juros até o fim do ano, segundo a ata do Federal Open Market Committee (Fomc) divulgada nesta quarta-feira (7).

Todos os participantes do comitê apoiaram a alta de 25 pontos-base aprovada na reunião de setembro, conforme consta no documento. A maioria dos integrantes avaliou que ao menos outro aumento seria apropriado nos próximos meses.

“A ata do Fomc referente à decisão de setembro confirma a mudança para uma postura mais restritiva, diante da persistência da inflação, da atividade sólida e de um mercado de trabalho próximo do pleno emprego”, avalia Leandro Padulla, economista do ASA.

Chama atenção no documento que vários participantes indicaram que a taxa de juros atual ainda não era restritiva o suficiente para controlar a inflação. O staff do Federal Reserve também revisou para cima as projeções de inflação para 2026 e 2028, prevendo convergência para a meta de 2% somente em 2029. A inflação nos EUA está em 3,4% no acumulado de 12 meses até agosto, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI).

Na avaliação de Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, o documento indicou que o mercado de trabalho deixou de ser uma preocupação persistente do banco central, que agora mira na inflação, que segue com riscos altistas. Os efeitos desinflacionários do boom de inteligência artificial saíram do foco do documento, entrando em seu lugar preocupações de curto prazo que vão além do choque de oferta.

O Fomc tem mais duas reuniões agendadas para este ano: nos dias 27 e 28 de outubro e 8 e 9 de dezembro. A ata não indica a preferência dos integrantes do comitê sobre quando haveria o próximo aumento de juro, reforçando que a decisão vai depender de dados indicativos da economia.

Para Leonardo Mendes, economista do Manchester, a ata indica que o Federal Reserve não considera o trabalho de combate à inflação concluído, apesar de divergências no diagnóstico. O documento mostrou que parte do Comitê interpretou a alta de juros feita em setembro como um movimento preventivo para evitar que choques de energia, tarifas e outros fatores de oferta contaminem as expectativas e a inflação de forma mais persistente.