Carta de seis páginas questiona se presidente submeteu autobiografia às mesmas regras éticas aplicadas a funcionários comuns

Comitê de funcionários do BCE pede à instituição que esclarecimentos sobre possíveis "dois pesos e duas medidas" na aplicação de regras para altos dirigentes
Funcionários do Banco Central Europeu (BCE) cobram esclarecimentos de Christine Lagarde sobre como a promoção de sua autobiografia e as negociações para um futuro cargo se enquadram nas regras éticas da instituição.
Em uma carta de seis páginas datada de sexta-feira (10), Carlos Bowles, presidente do comitê de funcionários do BCE, pediu ao diretor de conformidade da instituição que avalie possíveis “dois pesos e duas medidas” na aplicação das regras para altos dirigentes e funcionários comuns. A correspondência foi obtida pela Bloomberg.
“Não questionamos o direito da presidente de escrever uma autobiografia ou de considerar futuras atividades profissionais”, escreveu Bowles. “Nossa preocupação é saber se essas atividades foram submetidas a salvaguardas comparáveis às que o BCE aplicaria a um funcionário comum.”
A autobiografia de Lagarde, intitulada “Lady First”, está prevista para chegar às livrarias em janeiro. Segundo a carta, as regras aplicáveis aos altos dirigentes da instituição não parecem exigir autorização prévia para esse tipo de publicação. Bowles questionou se Lagarde solicitou autorização formal e se alguém revisou os trechos do livro relacionados ao BCE.
Bowles também observou que o Conselho do BCE é responsável por nomear os integrantes do próprio comitê de ética da instituição, levantando questões sobre a independência desse órgão.
Circulam há tempo especulações de que a presidente do BCE poderia deixar o cargo para assumir a liderança do Fórum Econômico Mundial (WEF), atualmente copresidido por Larry Fink, CEO da BlackRock. Lagarde reconheceu recentemente a possibilidade de deixar o BCE “alguns meses” antes do término de seu mandato, previsto para outubro de 2027.
A polêmica em torno da autobiografia e do possível futuro cargo de Lagarde continua ofuscando o debate institucional do BCE em um momento em que a aceleração da inflação leva dirigentes a discutir o timing de uma possível nova alta de juros na zona do euro.







