Investigação contra Flávio Bolsonaro avança com bloqueio de contas em outubro

Delegado da PF protocolou informações direto no STF sem avisar juiz de primeiro grau, aponta cronologia de operação

Investigação contra Flávio Bolsonaro avança com bloqueio de contas em outubro
**Flávio Bolsonaro** (PL), candidato derrotado à Presidência. Foto: Charles Vieira — Foto: Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência  • Charles Vieira

Investigação contra candidato derrotado à Presidência avançou em outubro com bloqueio de contas e operações ordenadas pelo STF.

A investigação contra Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, avançou significativamente em outubro com operações ordenadas pelo Supremo Tribunal Federal, segundo documentos obtidos.

Um delegado da Polícia Federal responsável pela investigação protocolou informações direto no STF em 8 de outubro, sem notificar o juiz de primeiro grau. Aliados de Flávio apontam isso como procedimento atípico, já que a prática padrão seria informar o juiz da primeira instância, que encaminharia o caso à corte suprema.

A investigação originou-se em inquérito na 11ª Vara Federal de Porto Alegre que apurava empresas intermediadoras de pagamento de casas de apostas. Durante as investigações, foi produzido um Relatório de Informações de Polícia Judiciária contendo operações financeiras do empresário e advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, além de sua relação com chefe de gabinete de Nancy Andrighi, ministra do Superior Tribunal de Justiça, e com um ex-subprocurador-geral da República.

O elemento suspeito mais forte encontrado contra Flávio consta de e-mail de funcionária de Willer enviado ao Banco Santander pedindo para desvincular Flávio da conta Alcazar Holding.

Em 13 de outubro, o presidente do STF, Edson Fachin, solicitou que o delegado prestasse esclarecimentos. Após explicação, Fachin distribuiu o inquérito, e Alexandre de Moraes foi sorteado como relator.

Em 16 de outubro, a nove dias do segundo turno eleitoral, Moraes recebeu os autos do caso. Quatro dias depois, em 19 de outubro, ordenou operação visando funcionário do STJ suspeito de vazar informações a Willer Tomaz.

Em 23 de outubro à noite, duas horas antes do debate da Rede Globo, Moraes determinou bloqueio das contas de Willer Thomaz e expediu ofício ao Banco Santander para verificar se Flávio Bolsonaro tinha relação com a conta.

Em 25 de outubro, pela manhã no dia do segundo turno das eleições, o Santander respondeu a Moraes informando que o único usuário master da conta Alcazar era Willer Tomaz. O banco apresentou a relação completa de pessoas cadastradas ao longo de toda a vigência da conta.