IPCA de setembro sobe 0,82% e rompe teto da meta ao atingir 4,58%

Inflação acumula 4,58% em 12 meses, superando limite de 4,5%. Energia elétrica e alimentos pressionam preços.

IPCA de setembro sobe 0,82% e rompe teto da meta ao atingir 4,58%
Índice de inflação em outubro. Foto: IBGE — Foto: Fonte: IBGE

Inflação de setembro avançou 0,82%, acima das expectativas, e reverteu deflação anterior. Acumulado de 12 meses rompe teto da meta.

A inflação de setembro avançou 0,82%, acima das expectativas do mercado, e reverteu a deflação do mês anterior. O acumulado de 12 meses atingiu 4,58%, rompendo o teto da meta de 4,5%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados nesta sexta-feira.

Economistas apontam piora qualitativa do indicador, marcada pela aceleração nos núcleos de inflação e pela resiliência nos preços do setor de serviços. O resultado provocou divisão no mercado sobre os rumos da política monetária, que segue em tendência de corte de juros.

Parte dos analistas defende a continuidade dos cortes da taxa Selic, baseada no alívio do câmbio e em sinais de desaceleração da economia. Outra ala avalia que as pressões inflacionárias exigem uma pausa no ciclo de afrouxamento.

“As perspectivas permanecem sob pressão: a inflação de serviços deve continuar resiliente dado o mercado de trabalho aquecido, os preços de alimentos devem manter-se pressionados pelo fenômeno El Niño, e os preços do petróleo próximos a US$ 100 o barril adicionam pressão sobre os reajustes de combustíveis, bens industriais e tarifas aéreas”, avalia a XP.

Para o Goldman Sachs, a conjuntura deixa pouco espaço para o corte de juros no curto prazo. O banco recomenda cautela adicional.

O grupo Habitação registrou a principal força do avanço, com alta de 2,31% no período. A energia elétrica residencial avançou 7,98% após o fim do Bônus de Itaipu, que havia derrubado artificialmente as contas em agosto.

Fatores climáticos como seca, queimadas e reflexos iniciais do fenômeno El Niño atingiram a oferta agrícola e pesaram sobre o grupo Alimentação e Bebidas, que vinha de três meses consecutivos de queda. O preço do tomate subiu 37,76%, seguido pela batata-inglesa (24,07%) e pela cebola (10,14%).

No setor de combustíveis, a gasolina subiu 1,21% e o etanol encareceu 3,16%, frustrando expectativas de queda.