Argentina rebaixou relações diplomáticas em agosto; embaixador argentino deixou Brasília e representação segue com encarregado de negócios

Ministério das Relações Exteriores afirma que presidente argentino cometeu ingerência externa no processo democrático brasileiro com declarações contra Lula.
O Ministério das Relações Exteriores condenou nesta terça-feira (20) as recentes declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as eleições do Brasil. Segundo comunicado da pasta, as manifestações representam ato “antidemocrático, inaceitável e desequilibrado”.
Milei compartilhou publicação crítica a Lula e escreveu: “Espero que o último truque sujo de campanha dele não inclua roubar a eleição… esquerdista ladrão”. De acordo com o Itamaraty, o presidente argentino comete “inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”.
O comunicado do MRE afirma que Milei “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”. A referência diz respeito à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“O Presidente da República Argentina reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos. Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo.”
A relação entre Brasil e Argentina enfrentou escalada de tensões quando Milei participou de convenção do PL que lançou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto. Na ocasião, o mandatário argentino chamou Lula de presidiário e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca”.
Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e cobrou explicações ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi. A medida sinalizou insatisfação da diplomacia brasileira.
Em agosto, o MRE rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina e decidiu manter Bitelli no Brasil. Raimondi retornou para o país vizinho, e a representação diplomática argentina em Brasília passou a ser conduzida por um representante de negócios.
O Itamaraty defendeu a segurança do sistema brasileiro de voto eletrônico e destacou que a “decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”.






