Endividamento elevado e custos financeiros pressionam o consumo, enquanto mercado de trabalho aquecido sustenta o setor

Juro alto trava consumo, eleva endividamento das famílias e impõe desafios para o crescimento do varejo, mesmo com mercado de trabalho aquecido.
Panorama do juro alto trava consumo e seus efeitos no varejo em 2026
O cenário econômico brasileiro em 2026 evidencia que o juro alto trava consumo e dificulta o crescimento do varejo, mesmo diante do melhor momento histórico do emprego formal. Guilherme Freitas, economista-chefe da Stone, destaca essa dualidade: o mercado de trabalho aquecido sustenta o setor, mas a restrição do crédito limita a expansão do consumo. A massa salarial atingiu R$ 354,564 bilhões até dezembro de 2025, porém a combinação de inadimplência crescente e juros elevados complica as perspectivas para o comércio varejista.
Impactos do endividamento e inadimplência no consumo das famílias
O aumento do endividamento familiar alcançou níveis inéditos, com o comprometimento da renda em dívidas batendo recorde em janeiro de 2026, segundo dados do Banco Central. A facilidade de acesso ao crédito, somada à baixa educação financeira, tem levado muitos consumidores a situações de superendividamento, reduzindo sua capacidade de consumo futuro e gerando riscos para a estabilidade do mercado. Essa bola de neve financeira impacta diretamente a demanda do varejo, que percebe uma desaceleração principalmente em segmentos que dependem de financiamento.
Setores do varejo mais afetados pelo cenário de juros elevados
João Vitor Gonçalves, economista da CNC, explica que os setores mais vulneráveis ao juro alto são aqueles ligados a bens duráveis, veículos e materiais de construção, onde o parcelamento é essencial para a aquisição. Em 2025, as vendas desses segmentos já registraram queda, como a retração de 3% nas vendas de veículos. A alta nos custos financeiros das empresas também prejudica o capital de giro, afetando investimentos e reposição de estoques, o que contribui para um crescimento lento e desigual dentro do varejo.
Estratégias varejistas para enfrentar a pressão financeira em 2026
Diante da pressão provocada pelo cenário macroeconômico, os varejistas adotam medidas para preservar sua saúde financeira. Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, destaca a redução de estoques, o foco em categorias de maior giro e a revisão dos planos de expansão como respostas essenciais. A eficiência operacional ganha prioridade máxima para lidar com o custo elevado do crédito e a incerteza do consumo, exigindo disciplina rigorosa na gestão dos negócios.
Perspectivas de equilíbrio entre mercado de trabalho e restrição do crédito
Apesar das adversidades, o setor varejista apresenta sinais de resiliência. A recuperação gradual da intenção de consumo e a melhora na confiança empresarial indicam que o juro alto trava consumo, mas não provoca uma queda abrupta no setor. O economista Guilherme Freitas ressalta que o mercado de trabalho robusto impede uma queda livre, mas a falta de avanço significativo deve prevalecer enquanto o crédito continuar caro. O cenário configura um “voo de galinha”, com o varejo oscilando entre períodos de crescimento tímido e estagnação.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Ana Paula T







