Lula exige comprovação de votos do Centrão antes de distribuir ministérios

Presidente quer evitar repetir terceiro mandato, quando partidos ganharam pastas sem entregar apoio legislativo ao governo

Lula exige comprovação de votos do Centrão antes de distribuir ministérios
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert — Foto: Fotos: Ricardo Stuckert

Lula indicou a auxiliares que será mais rigoroso na negociação com partidos do Centrão. Cada legenda terá de informar quantos votos pode dar ao governo na Câmara e no Senado antes de receber ministério.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou a auxiliares durante a semana que será mais rigoroso na negociação com os partidos do Centrão para a distribuição de ministérios no quarto mandato. A exigência será feita antes da entrega das pastas: cada legenda terá de informar quantos votos pode dar ao governo na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Segundo lideranças do PT, Lula saiu “transformado” da virada nas urnas e pretende ser mais criterioso com o Centrão, que apoiou em peso a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A ideia é evitar o cenário do terceiro mandato, quando partidos de centro ganharam ministérios e, mesmo assim, não entregaram votos nas votações de interesse do governo.

Os emissários do presidente já começaram a procurar caciques partidários. Um dos procurados foi o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. A previsão é que os dois se reúnam nesta semana, depois do feriado de Finados.

Caciques do Centrão avaliam que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pode convencer partidos do bloco a apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) no comando do Senado Federal. O apoio dessas legendas é decisivo para a recondução. A cobrança por votos tem esse alvo claro.

O cenário ficou mais complexo com a composição do Congresso eleita em outubro. O PL elegeu 121 deputados e 29 senadores e chega a 2027 com força para travar a agenda do governo, mesmo derrotado na eleição presidencial. Lula precisa, ao mesmo tempo, acomodar aliados e neutralizar a oposição.

A disputa pelo Ministério da Fazenda é o teste mais visível desse equilíbrio. O nome do ministro será lido pelo mercado como sinal da política econômica do novo mandato, e a escolha envolve grupos internos do PT. O governador do Piauí, Rafael Fonteles, despontou como um dos principais candidatos, mas integrantes do partido exploram a preferência do mercado por um perfil mais moderado.

Nessa conta, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) aparece como o nome mais bem avaliado. O banco Citi tem medido internamente como o nome do próximo ministro da Fazenda será recebido pelo mercado e, por esses parâmetros, Alckmin larga na frente entre os nomes que circulam. A Fazenda concentra a negociação do arcabouço fiscal, da reforma tributária em implantação e da relação com o Banco Central, temas em que o governo precisa de votos no Congresso e de credibilidade junto a investidores.