Planalto avalia espaço para negociar tarifa de 25% com os EUA

Governo brasileiro considera viável negociar sobretaxa exclusiva de 25%, enquanto vê baixa chance de reverter tarifa de 12,5% aplicada a vários países

Planalto avalia espaço para negociar tarifa de 25% com os EUA
Fachada do Palácio do Planalto, em Brasília, após a retirada das grades Foto: Fachada do Palácio do Planalto, em Brasília, após a retirada das grades

Governo Lula vê possibilidade de negociar tarifa de 25% com EUA, mas considera remota reversão da de 12,5% aplicada a múltiplos países.

Contexto das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil

O governo Lula trabalha com cenários distintos para as duas sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos nesta semana, que incidem sobre produtos brasileiros. A primeira, uma tarifa de 25%, é aplicada exclusivamente ao Brasil, enquanto a segunda, de 12,5%, atinge 59 países e a União Europeia. O Planalto avalia que há espaço para negociar tarifa de 25% com os EUA, considerando essa uma possibilidade mais concreta do que reverter a sobretaxa mais ampla.

Razões e implicações das sobretaxas para o comércio bilateral

A sobretaxa de 25% foi anunciada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Os Estados Unidos alegam que o Brasil adota práticas consideradas “irrazoáveis”, incluindo tarifas vistas como desleais, o uso do PIX, falhas no combate à corrupção, o desmatamento e restrições no mercado de etanol. Já a taxa de 12,5% visa a coibir a comercialização de produtos provenientes de trabalho forçado, afetando simultaneamente diversos países.

Estratégias e limites do governo brasileiro nas negociações tarifárias

Auxiliares do presidente Lula acreditam que a negociação sobre a tarifa de 25% pode evoluir devido ao caráter bilateral da medida. O foco principal está nas questões tarifárias, com possibilidade de avanços pontuais em outras áreas, porém com limites claros: o PIX, em especial, está fora de discussão, como já afirmado pelo próprio presidente. A expectativa é que as conversas avancem na próxima semana por meio de videoconferência entre ministros brasileiros e a liderança do USTR.

Cronograma e perspectivas de encontros diplomáticos futuros

O prazo inicial para o grupo de trabalho formado após a reunião entre Lula e Donald Trump na Casa Branca em maio termina em 7 de junho. Contudo, as negociações continuarão até 15 de julho, data prevista para o início da aplicação das tarifas caso não haja acordo. Há ainda a possibilidade de um encontro entre Lula e Trump na cúpula do G7, marcada para 15 a 17 de junho na França, embora até o momento não haja pedido formal para reunião. As autoridades avaliam que tal encontro só teria sentido se houver avanços técnicos significativos.

Impactos políticos e econômicos das sobretaxas e o panorama bilateral

Apesar das medidas restritivas, a relação entre Lula e Trump é considerada preservada pelos auxiliares do Planalto. A imposição das tarifas e a recente visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca não alteraram o diálogo entre os países de modo substancial. A negociação das tarifas é vista como um teste para as relações comerciais e diplomáticas, com potencial impacto sobre comércio bilateral e investimentos futuros.