Estudo da CNI revela queda de mais de 20% na produtividade desde 1995 e destaca necessidade de modernização urgente na construção civil

A produtividade da construção civil brasileira caiu mais de 20% desde 1995, segundo estudo da CNI, que aponta baixa qualificação e informalidade como causas.
Queda histórica da produtividade da construção civil brasileira
A produtividade da construção civil no Brasil apresenta uma queda preocupante, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgados em estudo recente. Entre 1995 e 2024, a produtividade por trabalhador caiu 20,4%, refletindo diretamente na relevância do setor na economia nacional. Em 2013, a construção civil representava 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB); em 2024, esse percentual caiu para 3,6%. Essa redução evidencia a necessidade urgente de modernização do segmento para garantir competitividade e eficiência.
Estrutura do setor e fatores que afetam a produtividade
A baixa produtividade da construção civil brasileira está associada a diversos fatores estruturais. A elevada informalidade é um deles, com apenas 25% dos empregos no setor possuindo vínculo formal em 2021, contra 66% na indústria de transformação. Além disso, a qualificação da mão de obra é precária: somente 7,8% dos trabalhadores têm ensino superior. A lenta incorporação de tecnologias digitais e práticas de gestão eficientes também contribui para o desempenho inferior do setor. Esses desafios limitam a capacidade produtiva e a competitividade da construção civil nacional.
Diferenças internacionais e o desafio da eficiência
Comparado a países desenvolvidos, o Brasil está muito atrás em termos de produtividade na construção civil. Em 2021, a produtividade era apenas 7% da observada nos Estados Unidos, referência global no segmento. Essa discrepância evidencia o atraso tecnológico e gerencial brasileiro e ressalta o impacto negativo dessas defasagens para a economia. O país precisa acelerar a adoção de soluções modernas para se aproximar dos padrões internacionais de eficiência e qualidade.
Potencial da construção industrializada para modernizar o setor
A CNI destaca a construção industrializada como alternativa promissora para reverter o quadro de baixa produtividade. Este modelo desloca parte da produção para ambientes controlados, como fábricas, onde componentes são pré-fabricados e posteriormente montados no canteiro. Sistemas como aço galvanizado (light steel frame), concreto pré-fabricado, wood frame, drywall e madeira engenheirada apresentam vantagens importantes, incluindo redução de tempo, padronização e menores custos. A adoção dessas tecnologias pode acelerar obras e melhorar a qualidade final dos empreendimentos.
Desafios para adoção e modernização do setor
Embora 64,5% das empresas da construção usem algum processo industrializado, em 58,4% dos casos essas soluções são aplicadas em no máximo metade das obras. A disseminação ainda limitada evidencia barreiras culturais, técnicas e econômicas para a modernização. Para a CNI, é fundamental aumentar a digitalização dos processos, melhorar a qualificação da mão de obra e reduzir a informalidade para ampliar o uso desses métodos. Considerando o déficit habitacional de quase seis milhões de moradias e a necessidade de mais investimentos em infraestrutura, o avanço tecnológico e a modernização do setor são passos essenciais para o Brasil.







