Senado adia votação da PEC da Segurança após divergência sobre redução de maioridade

Presidente Davi Alcolumbre retirou proposta da pauta nesta quinta (15) após emendas sobre responsabilização penal de menores

Senado adia votação da PEC da Segurança após divergência sobre redução de maioridade
Davi Alcolumbre pauta 6×1 e auxilia Lula na reta final. Foto: CanalGov/Reprodução via Agência Brasil — Foto: Davi Alcolumbre pauta 6×1 e auxilia Lula na reta final  • CanalGov/Reprodução via Agência Brasil

Discussão sobre redução de maioridade penal dominou debates sobre a PEC da Segurança Pública no Senado. Votação foi adiada sem data definida.

A votação da PEC da Segurança Pública foi adiada nesta quinta-feira (15) no Senado Federal após divergências entre governo e oposição sobre redução da maioridade penal. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou o texto da pauta sem informar oficialmente uma nova data para análise da matéria.

A discussão foi provocada pela apresentação de emenda do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que buscava reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, com possibilidade de responsabilização a partir dos 14 anos em determinados crimes, como os hediondos. Segundo apuração, a iniciativa visava pressionar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a se posicionar sobre o tema. Marinho também é coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

O governo respondeu através de emenda apresentada ainda nesta quinta-feira por Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha petista, que sugeria reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos exclusivamente em casos de crimes hediondos. A proposta enfrentou resistência de integrantes de parte da própria bancada petista e de parlamentares governistas.

Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, chegou a afirmar que nenhuma emenda sobre o assunto iria prosperar na PEC, defendendo que o tema sobre maioridade penal fosse analisado em outra proposta específica.

Diante do impasse, Alcolumbre anunciou a retirada da proposta da pauta. O presidente do Senado afirmou que aguardaria entendimento entre os parlamentares e mencionou o risco de as emendas provocarem o retorno do texto à Câmara dos Deputados.

Após o adiamento, Rogério Marinho criticou o presidente do Senado, afirmando que Alcolumbre atuava “a serviço” do governo Lula. Na visão do senador, o grupo aliado ao petista preferiu não fazer o debate ao ser confrontado com a situação proporcionada pela votação da PEC.

Rogério Carvalho (PT-SE), relator da PEC, afirmou à CNN que a matéria não foi à votação por falta de consenso e em razão de “malabarismos” realizados durante as negociações por apoio ao texto.

A expectativa é que a proposta seja analisada novamente após o segundo turno das eleições presidenciais, mas permanece sem data definida para votação no plenário do Senado.