A atividade do setor de serviços desacelera em maio sob pressão dos aumentos de preços e demanda frágil, comprometendo recuperação econômica

A atividade do setor de serviços no Brasil ficou quase estagnada em maio, pressionada pela inflação alta e queda na demanda, segundo pesquisa do PMI.
Setor de serviços no Brasil enfrenta quase estagnação em maio devido à inflação alta
A atividade do setor de serviços no Brasil apresentou quase estagnação em maio, com o índice PMI alcançando 50,4, próximo ao patamar de 50 que indica ausência de crescimento, segundo a pesquisa divulgada pela S&P Global. A diretora associada de Economia Pollyanna De Lima destacou que essa desaceleração sinaliza um enfraquecimento do papel do setor de serviços como amortecedor da fraqueza industrial no país. A alta inflação e a demanda já fragilizada foram determinantes para esse cenário desafiador.
Impactos da guerra no Oriente Médio na inflação e nos custos do setor
A pesquisa revelou que o aumento significativo nos preços dos insumos, o maior desde fevereiro de 2025, foi impulsionado principalmente pela guerra no Oriente Médio, que elevou custos de combustíveis, materiais de construção, produtos químicos, energia e alimentos. O repasse desses aumentos para os preços finais dos serviços contribuiu para a inflação elevada no setor, que registrou a segunda maior taxa em 15 meses. Essa conjuntura pressionou ainda mais a capacidade das empresas de manterem produção e vendas, afetando o consumo e a confiança do mercado.
Segmentos com desempenho distinto e desafios à retomada do crescimento
Enquanto a maioria dos segmentos do setor de serviços enfrentou estagnação ou queda, o setor de transporte, informação e comunicação destacou-se como o único a registrar crescimento na produção e vendas, embora com ritmo desacelerado, atingindo o menor patamar em cinco meses. A fragilidade da demanda impactou atividades relacionadas a entretenimento, hotelaria e lazer, setores que sofreram cortes de gastos por consumidores diante de orçamentos apertados. As condições financeiras desafiadoras e a forte concorrência também limitaram o ritmo de contratações, que foi o mais lento nos últimos quatro meses.
Consequências para a economia brasileira e perspectivas futuras
O enfraquecimento do setor de serviços, aliado à contração já reportada da indústria, levou o índice PMI composto do Brasil a recuar para 49,5 em maio, indicando contração da atividade econômica geral. A redução da confiança empresarial e o otimismo menor em relação à produção para o próximo ano indicam que os desafios atuais podem prolongar a recuperação econômica. Alguns economistas e analistas esperam que essa desaceleração seja temporária, com possibilidade de recuperação no próximo trimestre, mas o cenário permanece sujeito a variáveis externas e internas.
Estratégias para mitigar impactos e promover retomada no setor de serviços
Diante das pressões inflacionárias e da demanda frágil, empresas do setor de serviços têm buscado ajustar preços e custos, além de inovar na oferta para manter competitividade. A pressão por eficiência operacional aumenta, assim como a necessidade de investimentos em tecnologia e gestão financeira. A recuperação do setor depende também da estabilidade macroeconômica e da melhoria no poder de compra dos consumidores, fatores que influenciam diretamente o dinamismo das atividades de serviços no Brasil.







