Exposição apresenta fotografias e esculturas de cubano e jornalista libanesa que retratam expressão artística e cultural dos países de origem

Projeto Promigra da UEPG promoveu exposição com obras que abordam memória e identidade migrante, com foco em artistas cubano e libanesa
O projeto de extensão Promigra (Processos Migratórios e Intercâmbio: Inclusão Social e Diversidade Cultural) promoveu nesta quarta-feira (21) uma exposição de obras que tratam da memória e da identidade migrante na sala 19 do bloco A da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O evento contou com fotografias dos artistas Erich Gonzalez Triana e Mirna Bazzi, que retrataram expressão artística cubana e espaços libaneses em suas criações.
Erich Gonzalez Triana, cubano que chegou ao Brasil há cerca de um ano e meio, parou de pintar suas obras após a mudança. O artista recebeu o convite para expor na UEPG como estímulo para retomar a criação. “Estar aqui é um misto para mim, de alegria e de tristeza, porque queria apresentar minhas obras fisicamente”, disse. As pinturas e esculturas do artista, no entanto, permanecem em Cuba. “Aqui em Ponta Grossa tenho uma vida mais tranquila, então estou me organizando para voltar a produzir”, informou.
Mirna Bazzi, jornalista e fotógrafa, retratou a rotina de Bint Jbeil, cidade no sul do Líbano destruída pela Guerra contra Israel. As fotografias foram produzidas para seu trabalho de conclusão de curso em 2018, antes do conflito. “Essas fotos da exposição têm um novo significado pra mim, porque elas estão representando lugares que não existem mais”, afirmou. A exposição inclui registros das oliveiras, árvores-símbolo do Líbano, além de locais da cidade. “Eu me sinto cumprindo meu papel, como jornalista, fotógrafa e descendente de libaneses, e mostrar essa realidade para a população brasileira é muito importante para mim”, completou.
A exposição funciona como uma intervenção cultural, conforme explicou Jorge Bahls, aluno de Serviço Social e organizador da atividade. Bahls colocou-se no lugar dos migrantes com quem trabalha no Promigra e refletiu sobre o tema. “Eu me coloquei no lugar dos migrantes com quem a gente trabalha no Promigra e pensei como seria a minha vida se eu mudasse de país. Será que eu teria que abandonar a minha arte também?”, questiona.
A partir dessa reflexão, Bahls organizou a exposição para recuperar a memória e identidade dos migrantes. “É gratificante conseguir trazer à tona o trabalho deles e ocupar um espaço da UEPG, que deve ser um espaço ocupado não apenas pela comunidade interna, mas também externa”, avaliou. O Promigra está vinculado ao Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (Proext-PG).







