Em cinco meses, vendas cresceram 23,5%, mas diplomatas avaliam que relação comercial ainda está no início

Entre maio e agosto, exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 20,4 bilhões, alta de 23,5% ante o mesmo período de 2025
As exportações brasileiras para a União Europeia bateram recorde entre maio e agosto, com vendas totalizando US$ 20,4 bilhões, alta de 23,5% na comparação com o mesmo período de 2025. O crescimento ficou acima do avanço das exportações totais brasileiras no período.
Já as importações de produtos europeus chegaram a US$ 18,5 bilhões, aumento de 6,2%, resultando em superávit de US$ 1,9 bilhão no comércio com o bloco. O desempenho reflete a entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia em 1º de maio, após mais de duas décadas de negociações.
Entre maio e agosto, 42 grupos de produtos registraram recorde de exportação para o bloco europeu. Os itens que tiveram forte crescimento incluem abacate, café torrado, maçã, açúcar, manga, algodão, óleo de milho bruto e soja. Parte desses produtos passou a contar com redução ou eliminação de tarifas com a entrada em vigor do acordo.
Segundo diplomatas e especialistas em comércio exterior ouvidos pela CNN, no entanto, ainda é cedo para atribuir todo o avanço exclusivamente ao acordo. O cenário internacional também influencia o resultado, especialmente diante das barreiras comerciais adotadas pelos Estados Unidos e da reorganização dos fluxos de comércio para China e Europa. A busca por novos mercados e fornecedores pode ter contribuído para ampliar as compras europeias de produtos brasileiros.
A expectativa é que, com a implementação gradual das regras, empresas dos dois lados passem a explorar oportunidades ainda não utilizadas. Atualmente, empresas brasileiras e europeias conduzem conversas bilaterais com esse objetivo.
Além do aumento das exportações brasileiras, o acordo reduz tarifas para produtos europeus vendidos ao Mercosul, podendo ampliar a presença de máquinas, equipamentos, veículos, medicamentos e outros bens no mercado brasileiro. A aplicação definitiva do acordo ainda depende da conclusão dos procedimentos de ratificação previstos para o tratado.






