Sindicância interna identificou conteúdo com referências nazistas compartilhado em grupo de WhatsApp após eleições presidenciais

A UniCesumar expulsou estudantes do curso de Medicina envolvidos na divulgação de mensagens discriminatórias contra bolsistas em grupo de WhatsApp.
A UniCesumar, em Maringá, no Noroeste do Paraná, expulsou estudantes do curso de Medicina envolvidos na divulgação de mensagens discriminatórias contra colegas bolsistas neste sábado (31).
A decisão foi anunciada após a conclusão de uma sindicância interna que investigou conteúdo compartilhado em um grupo de WhatsApp da turma, conforme comunicado da instituição. Outros universitários receberam advertências e suspensões como resultado da apuração.
As mensagens começaram a circular no domingo (25), após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais que confirmou a reeleição de Lula (PT), segundo a universidade. Estudantes que ingressaram na universidade por programas sociais, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), foram alvos de comentários preconceituosos nas conversas denunciadas.
Parte das manifestações também continha referências ao nazismo, de acordo com a investigação da instituição. Entre os conteúdos denunciados estavam declarações que sugeriam uma suposta superioridade dos alunos que pagam mensalidades em relação aos beneficiários de bolsas de estudo.
A sindicância foi encerrada na sexta-feira (30), conforme a universidade informou. A comissão responsável recomendou medidas disciplinares, posteriormente aprovadas pela reitoria de acordo com o regimento interno da instituição. As punições foram definidas conforme a gravidade da participação de cada estudante.
A UniCesumar não divulgou quantos alunos foram expulsos, suspensos ou advertidos. A instituição afirmou que repudia manifestações discriminatórias e mantém o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) disponível para acolhimento e orientação dos universitários.
O Ministério Público Federal (MPF) confirmou o recebimento de uma denúncia sobre o episódio e investiga o caso. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) se manifestou sobre a situação e considerou as condutas incompatíveis com os princípios éticos exigidos na formação médica, segundo comunicado do órgão.
O CRM-PR ressaltou que o exercício da Medicina pressupõe respeito à dignidade humana e atendimento sem discriminação. O órgão informou que acompanhará os desdobramentos da investigação e adotará as providências cabíveis dentro de suas atribuições.







