Dólar fecha em alta a R$5,3875 com pressão externa e incerteza sobre governo Lula

Moeda norte-americana avança 0,76% enquanto investidores aguardam anúncio da equipe econômica e detalhes sobre política fiscal

Dólar fecha em alta a R$5,3875 com pressão externa e incerteza sobre governo Lula
Dólar à vista encerrou com elevação de 0,76% em 29 de outubro

Dólar à vista fecha com elevação de 0,76%, atingindo R$5,3875. Avanço é impulsionado por fortalecimento da moeda nos mercados externos e preocupações com novo mandato presidencial.

O dólar à vista encerrou com elevação de 0,76% na quinta-feira (29), fechando a R$5,3875, conforme cotação de 29 de outubro. No acumulado do ano, a divisa registra queda de 1,85%. O avanço foi impulsionado pelo fortalecimento da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior e pelas incertezas sobre o novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dólar futuro para novembro subia 0,86% na B3, cotado a R$5,3950, no mesmo período. A cotação máxima intradia atingiu R$5,4302, correspondendo a uma alta de 1,56%.

Dados econômicos norte-americanos reforçaram o dólar. O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos cresceu 3,4% no terceiro trimestre do ano, acima da projeção de 3,2% de economistas. Os gastos do consumidor em setembro avançaram 0,5%. O núcleo do índice de inflação PCE, acompanhado pelo Federal Reserve para formulação da política monetária, subiu 0,3% em setembro, em linha com o esperado. O PCE cheio avançou 0,5% no mês passado.

Após a divulgação dos números, o dólar acelerou ganhos ante divisas como o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano.

No caso da moeda brasileira, as cotações encontraram suporte no cenário pós-eleitoral, com dúvidas sobre o próximo mandato presidencial. Investidores aguardam indicações sobre quem ocupará em 2027 as principais pastas da administração, como o Ministério da Fazenda. Paralelamente, esperam detalhes sobre como será a política fiscal do novo governo. O controle das contas públicas segue como a principal preocupação dos agentes de mercado.

“As preocupações com o fiscal, com a nova equipe econômica, que o Lula parece não ter pressa em anunciar, tudo isso traz um movimento de proteção”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “E lá fora o dólar também sobe ante as outras divisas de emergentes.”

“Acompanhando essa tensão local e a busca natural por proteção de patrimônio, o dólar comercial registrou uma forte valorização frente ao real”, reforçou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Segundo ela, o avanço da moeda “evidencia um movimento de saída de risco, refletindo não apenas as preocupações com o futuro das contas públicas no Brasil, mas também a influência direta de um cenário externo favorável ao dólar”.