Monção 13% abaixo do normal prejudicou produção de milho e cana-de-açúcar, elevando preços das matérias-primas e pressão sobre abastecimento alimentar

Índia deve reduzir percentual de etanol misturado à gasolina de 20% para entre 15% e 17% na temporada que iniciou em novembro, conforme a Reuters
A Índia pode registrar uma redução significativa na mistura de etanol à gasolina durante o ano de abastecimento iniciado em novembro, conforme reportagem da Reuters publicada nesta quarta-feira (4). Representantes da indústria projetam que o percentual poderá recuar dos 20% alcançados anteriormente para uma faixa entre 15% e 17%.
A seca associada ao El Niño comprometeu a produção agrícola e elevou os preços das matérias-primas utilizadas na fabricação do biocombustível. As chuvas de monção ficaram quase 13% abaixo da normalidade neste ano, prejudicando as perspectivas de produção de milho e cana-de-açúcar.
A preocupação com o abastecimento contribuiu para uma valorização de aproximadamente 40% nos preços domésticos do milho e do açúcar, enquanto o arroz também registrou aumento de cerca de 20%. O cenário levou o governo indiano a modificar as condições de abastecimento das destilarias.
Para a nova temporada, as companhias petrolíferas foram orientadas a não adquirir etanol produzido a partir de determinadas matérias-primas da indústria açucareira, incluindo caldo de cana e melaço B. Também houve redução no preço de aquisição do etanol fabricado com milho, de 71,86 para 68,86 rúpias por litro, diminuindo a remuneração das unidades produtoras.
O possível recuo representa uma mudança importante para o programa indiano de biocombustíveis, que havia atingido antecipadamente sua meta de mistura de 20%. A iniciativa busca reduzir a dependência de petróleo importado, mas agora enfrenta dificuldades diante da necessidade de preservar a disponibilidade de alimentos e conter a inflação.
A redução da demanda por etanol poderá afetar investimentos realizados nos últimos anos para ampliar a capacidade industrial indiana. O setor expandiu suas instalações para atender ao crescimento da mistura obrigatória e agora enfrenta a possibilidade de operar abaixo do potencial instalado. O milho ocupa posição central nessa disputa por matérias-primas, já que além de atender às destilarias, o cereal é utilizado na alimentação animal, especialmente na avicultura.







