Newton Ramos é investigado por integrar grupo ligado a ministro do STF; operação decorre de mensagens de ex-banqueiro

A Polícia Federal realiza operação no gabinete do desembargador Newton Ramos, do TRF-1, por ordem do Conselho Nacional de Justiça
A Polícia Federal realiza operação por ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), nesta madrugada de quinta-feira (25).
A operação no gabinete de Ramos partiu do corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves. De acordo com mensagens extraídas pela PF do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, Ramos é identificado como integrante da chamada “Turma do KN”, em referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota, Ramos disse estar à disposição do conselho para prestar todos os esclarecimentos necessários e sanar eventuais dúvidas sobre os casos em análise. A operação decorre dos desdobramentos do caso Banco Master, em que mensagens do celular do ex-banqueiro revelam um contrato de advocacia de R$ 427 milhões com os investigados.
Newton Ramos faz parte do TRF-1 desde 2023 e integrava o círculo social do ministro do Supremo ao atuar como juiz auxiliar de Kassio Nunes enquanto o magistrado ocupava a cadeira de vice-presidente do tribunal. A rede de amizade também envolve a esposa de Newton, Camilla Ramos, sócia de um escritório de advocacia.
O repasse por parte de Vorcaro teria sido feito em caso de resultados favoráveis em ações de interesse do Banco Master em tribunais superiores que poderiam liberar R$ 8,5 bilhões em precatórios, segundo a investigação. O contrato com a “Turma do KN” foi acordado com o escritório de advocacia de Camila (Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia) para serviços em que o Master era parte contra a União em 12 ações relacionadas ao setor sucroalcooleiro.
O documento prevê honorários de 5% líquidos sobre o valor recebido pelo banco nos processos. No total, os honorários chegariam a R$ 427 milhões em caso de vitória das causas. Os repasses deveriam ser feitos em até cinco dias após a obtenção dos ganhos.
Em mensagem de junho de 2025, Camila comemora uma “vitória” em ação que estava em análise na Segunda Turma do STF: “Um excelente voto do Min. Nunes Marques fazendo a distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização”, disse para Vorcaro.
Pelas mensagens, Newton Ramos atuava como intermediário de pedidos de Nunes Marques junto a Vorcaro. As negociações incluíam hospedagens no hotel Fasano, entradas em camarotes e aluguel de casa durante o Carnaval de 2025. Parte das tratativas era negociada por Leonardo Serrano Giunchetti, que assessorava Vorcaro.







