Estudo da Thomson Reuters revela prática generalizada. Vazamento de dados atinge 43% das companhias brasileiras consultadas.

Pesquisa aponta que profissionais utilizam ferramentas de inteligência artificial sem permissão. Empresas enfrentam riscos legais sob LGPD.
Segundo estudo “Future of Professionals 2026” da Thomson Reuters, 38% dos profissionais no Brasil utilizam ferramentas de inteligência artificial sem autorização da empresa em que trabalham.
Uma pesquisa da SAP em parceria com a Oxford Economics, realizada com 200 líderes de empresas no Brasil, mostra as consequências da prática: 43% das companhias brasileiras ouvidas relatam vazamento de dados ou exposição de propriedade intelectual ligados a esse tipo de ferramenta. Apenas 15% consideram seus processos totalmente preparados para controlar o uso da tecnologia.
Para Giovanna Araujo, advogada especializada em governança de inteligência artificial e sócia do Nasrallah e Araujo Advogados, o problema não está no uso da IA, mas na falta de orientação.
“Proibir não funciona, porque a equipe vai continuar usando. O caminho é dizer com clareza o que pode, o que não pode e quem é responsável por cada ferramenta.”
Quando um funcionário insere um contrato, uma lista de clientes ou dados financeiros em uma ferramenta de IA aberta ao público, essas informações deixam o ambiente controlado pela empresa. Nesse cenário, a responsabilidade recai sobre o empregador.
Pelo Código Civil, o empregador responde pelos atos de seus empregados no exercício do trabalho, mesmo sem ter culpa direta. Se o dado de um cliente vaza porque foi inserido em uma ferramenta que a empresa não contratou, quem responde perante esse cliente é a empresa.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) reforça essa responsabilidade. A empresa é obrigada a adotar medidas de segurança para proteger dados pessoais e a comunicar à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e aos titulares os incidentes que possam gerar risco ou dano relevante.
“A empresa responde pelo que o funcionário faz com a ferramenta, mesmo que nunca tenha autorizado o uso. Para o cliente que teve o dado exposto, não importa se a decisão foi de um analista ou da diretoria”, explica Giovanna Araujo.
As sanções pela LGPD variam de advertência a multa de até 2% do faturamento no Brasil, limitada a R$ 50 milhões por infração, sem contar eventuais indenizações aos afetados. Há também o risco contratual: muitos contratos com clientes e fornecedores podem ter cláusulas que proíbem compartilhamento de dados em plataformas não autorizadas.







