ONU reduz crescimento global para 2,5% por crise no Oriente Médio

Organização das Nações Unidas revisa para baixo projeção do PIB mundial em 2026 devido a pressões inflacionárias e instabilidade internacional

ONU reduz crescimento global para 2,5% por crise no Oriente Médio
Gráfico ilustrativo sobre crescimento econômico global. Foto: Jeenah Moon

ONU reduz previsão de crescimento global para 2,5% em 2026, citando crise no Oriente Médio e aumento da inflação como principais fatores.

Impacto da crise no Oriente Médio na previsão do crescimento global

A Organização das Nações Unidas (ONU) revisou sua previsão de crescimento global para 2,5% em 2026, apontando a crise no Oriente Médio como fator principal do recuo nas expectativas econômicas. Essa atualização, divulgada no relatório ‘Situação Econômica Mundial e Perspectivas’, destaca que o conflito reacendeu pressões inflacionárias e aumentou a incerteza nos mercados internacionais. O secretário-geral da ONU alertou para os efeitos negativos que a instabilidade regional tem causado na infraestrutura, comércio e turismo, especialmente na Ásia Ocidental, onde o crescimento projetado caiu de 3,6% para 1,4%.

Pressões inflacionárias e consequências para economias desenvolvidas e emergentes

A crise no Oriente Médio impulsionou o aumento nos preços da energia, o que gerou ganhos inesperados para empresas do setor, mas elevou os custos para famílias e empresas globalmente. Em economias desenvolvidas, a inflação deve subir de 2,6% em 2025 para 2,9% em 2026, enquanto nas nações em desenvolvimento a alta projetada é de 4,2% para 5,2%. Essa inflação crescente eleva os desafios para formuladores de políticas, que precisam equilibrar estímulos econômicos e o controle de preços sem frear a recuperação.

Desempenho regional: resiliência dos Estados Unidos e desafios na Europa

Os Estados Unidos apresentam relativa resiliência, com crescimento projetado estável em 2,0% para 2026, sustentado pela forte demanda doméstica e investimentos em tecnologia. Em contraste, a Europa enfrenta um cenário mais vulnerável devido à dependência de energia importada, que pressiona os custos para consumidores e empresas. A previsão para o crescimento da União Europeia caiu de 1,5% para 1,1%, enquanto o Reino Unido deve desacelerar de 1,4% para 0,7%, indicando um período de crescimento econômico modesto e desafios inflacionários persistentes.

Cenário na Ásia: desaceleração na China e Índia sob influência da crise

Na Ásia, a China mostra um efeito amortecedor, graças ao mix diversificado de energia, reservas estratégicas e políticas de apoio, com crescimento estimado em 4,6% para 2026, contra 5,0% anteriormente. Já a Índia deve sofrer um impacto maior, com previsão de crescimento reduzida de 7,5% para 6,4%. A desaceleração reflete os efeitos indiretos da crise no Oriente Médio, que perturbam cadeias globais de suprimentos e elevam os preços de energia, essenciais para a dinâmica dessas economias em desenvolvimento.

Perspectivas para 2027 e os desafios da recuperação econômica mundial

A ONU projeta uma recuperação modesta para 2027, com crescimento global estimado em 2,8%. Apesar de mercados de trabalho fortes, demanda resiliente e avanços tecnológicos, a trajetória para a economia mundial permanece marcada por incertezas. A influência contínua da crise no Oriente Médio, pressões inflacionárias e fragilidades em diversos setores indicam que a recuperação será gradual e sujeita a riscos geopolíticos e econômicos. As autoridades globais enfrentam o desafio de manter o equilíbrio entre estímulo econômico e controle de custos para evitar que a desaceleração se transforme em recessão.